Em Anapu, PF e Força Nacional começam a liberar estrada em área de conflito

Ação de madeireiros leva tensão à área onde morreu irmã Dorothy

Roldão Arruda, de O Estado de S.Paulo,

21 de janeiro de 2011 | 18h11

 

Agentes da Policia Federal e da Força Nacional começaram a liberar nesta sexta, 21, as estradas que dão acesso ao Projeto de Desenvolvimento Social Esperança, em Anapu, no Pará. A estrada vinha sendo bloqueada há cerca de uma semana por um grupo de assentados, com o objetivo de impedir a saída de caminhões de madeireiras, que operam ilegalmente na região.

 

 

 

 

O conflito entre os assentados no projeto, madeireiras e fazendeiros em Anapu é antigo e já fez várias vítimas. A mais conhecida é a irmã Dorothy Stang, assassinada em 2005, por dois pistoleiros contratados por fazendeiros.

 

 

 

 

Por telefone, a irmã Kátia Webster, que faz parte da Congregação Notre Dame, a mesma de Dorothy, disse hoje ao Estado que a chegada das forças policiais, na quarta-feira, ajudou a reduzir o clima de tensão em Anapu e na área do projeto, que fica a 53 quilômetros da cidade. Ela teme, no entanto, que a situação piore assim que eles forem embora: "Em outros momentos de tensão já tivemos a presença de forças policiais por aqui. O problema é que ficam por um tempo, em torno de trinta ou sessenta dias, e depois vão embora, por falta de combustível, de recursos, ou algum outro problema, sem que o conflito seja resolvido. O governo deveria agir para garantir a segurança dos assentados e os respeito às leis ambientais."

 

 

 

 

A assessoria de imprensa da Comissão Pastoral da Terra (CPT), que atua na região, divulgou uma nota informando que, após uma reunião com a superintendente do Incra de Santarém, Cleide de Souza, os assentados receberam a promessa de que as suas três principais reivindicações serão atendidas: a construção de uma guarita na entrada do PDS, de forma a controlar o movimento de caminhões dos madeireiros; a revisão e vistoria da estrada que, embora inacabada, já estaria sendo destruídas pela ação das carretas com toras de madeira; e a revisão da ocupação dos lotes. Os assentados afirmam que pessoas que não são beneficiárias do programa de reforma agrária invadiram a área e estão construindo moradias.

 

 

 

 

Segundo a irmã Kátia, a estrada de acesso ao projeto nunca chegou a ficar totalmente bloqueada. "Os moradores da região continuaram indo e vindo normalmente. Só não podiam passar o s caminhões que transportam madeira ilegal", afirmou.

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