Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Em alta com Bolsonaro, novo ministro da Justiça ganhou até sala no Palácio do Planalto na pandemia

Espaço foi criado em março pela frequência com que André Luiz Mendonça passou a ser chamado para despachar na Presidência em meio à crise do coronavírus

Jussara Soares, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2020 | 20h50

BRASÍLIA  - Nos 16 meses de governo Jair Bolsonaro em que esteve à frente da Advocacia-Geral da União, André Luiz Mendonça, que toma posse nesta quarta-feira, 29, como ministro da Justiça, se tornou um dos principais conselheiros do presidente. O prestígio garantiu até mesmo uma sala no quarto andar do Palácio do Planalto. O espaço foi criado em março pela frequência com que passou a ser chamado para despachar na Presidência em meio à pandemia do coronavírus.

Servidor de carreira da Advocacia-Geral da União desde 2000, Mendonça foi alçado ao cargo de ministro após uma conversa de apenas 40 minutos com Bolsonaro durante o governo de transição, no final de 2018. Chegou recomendado pelo ministro Wagner Rosário, da Controladoria-Geral da União, mas em pouco tempo se tornou próximo de Jorge Oliveira, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência e Subchefe de Assuntos Jurídicos

Ainda no primeiro ano de governo, os dois se tornaram a dupla de confiança do time de Bolsonaro, consultados a qualquer hora do dia ou da noite sobre os mais variados temas na área jurídica. Se Oliveira tem a insuspeição irrestrita de Bolsonaro graças à proximidade familiar há mais de 20 anos, Mendonça se destacou justamente pelo conhecimento técnico. 

O ministro tem doutorado na Universidade de Salamanca, na Espanha, em 2013 e 2018, e atuou como pesquisador e professor visitante na Universidade de Stetson, nos Estados Unidos. Apesar de apontado como uma pessoa tranquila e discreta, segundo relatos ao Estado, Mendonça é firme em defender seus argumentos nas reuniões ministeriais, mas sempre tenta buscar uma conciliação diante das divergências. 

O então AGU ganhou destaque em julho do ano passado após Bolsonaro dizer que indicaria um ministro “terrivelmente evangélico” para o Supremo Tribunal FederalMendonça é pastor da Igreja Presbiteriana Esperança, em Brasília, tem o perfil moderado e não é apadrinhado por nenhum líder religioso. Ex-colegas de Mendonça na AGU só souberam que ele era evangélico após ele ter se tornado ministro.

Para auxiliares de Bolsonaro,  o discreto Mendonça chega para ser a antítese de Moro, o ex-juiz da Lava Jato que tinha status de “estrela” no governo. O presidente também se tranquiliza por não ver no novo ministro da Justiça aspirações políticas. “André é um ponto de ponderação no governo, vai trazer a estabilidade que é preciso agora”, avaliou um auxiliar direto de Bolsonaro. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.