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Bolsonaro diz que CPI da Covid comete ‘crime’ e chama Renan de ‘picareta’ e ‘vagabundo’

Em Alagoas, presidente reclama de ‘show’ para tentar derrubá-lo e repete que ‘somente Deus’ pode tirá-lo do cargo

Carlos Nealdo, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2021 | 12h49

MACEIÓ – Relator da CPI da Covid e desafeto do presidente Jair Bolsonaro, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) foi alvo de ataques do mandatário e seus apoiadores durante a solenidade de entrega de 500 imóveis no bairro do Benedito Bentes, na periferia de Maceió (Alagoas).

“Sempre tem alguém picareta, vagabundo querendo atrapalhar o trabalho daqueles que produzem. Se Jesus teve um traidor, temos um vagabundo inquirindo pessoas de bem no nosso País. É um crime o que vem acontecendo com esta CPI”, afirmou Bolsonaro.

A declaração acontece um dia depois do bate-boca entre seu filho Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o senador na sessão da CPI em que o ex-secretário de Comunicação do governo Fabio Wajngarten prestava depoimento. Mesmo sem citar o nome do relator, a acusação a Renan por parte do presidente foi explícita: “O recado que eu tenho para este indivíduo, se quer fazer um show tentando me derrubar, não o fará. Somente Deus me tira daquela cadeira”.  

Em meio ao discurso de Bolsonaro, apoiadores do presidente gritavam “Fora Renan” e o chamavam de vagabundo, reproduzindo as críticas do mandatário. O governador Renan Filho, filho do senador, não participou da cerimônia, nem deve acompanhar o restante da agenda de Bolsonaro no Estado.

Os ataques a Renan foram ouvidos logo na chegada do presidente, ainda no aeroporto, como mostra vídeo publicado por Bolsonaro em seu Twitter. 

Obra já inaugurada

Procurado pelo Estadão, o governador disse que foi avisado da visita presidencial, mas que participaria da agenda porque não iria inaugurar duas vezes as mesmas obras. “O governo estadual já tinha inaugurado as obras (desde o ano passado) não há sentido em fazer novamente a mesma coisa”, disse Renan Filho, se referindo ao trecho do Canal do Sertão, em São José da Tapera, e do complexo viário no cruzamento das BRs 104 e 316, na capital alagoana.

Ao saber dos ataques de Bolsonaro, durante a reunião da CPI em que o ex-presidente da Pfizer do Brasil Carlos Murillo presta depoimento, Renan pediu a palavra, sob protesto dos senadores governistas, para responder ao presidente. “Vejo na imprensa que o presidente embarcou para Alagoas, em avião presidencial, para inaugurar obra já inaugurada, para me atacar pessoalmente, como fez seu filho, ontem, e atacar esta CPI”, afirmou o relator. “Minha resposta ao presidente é esta aqui”, completou, mostrando sua placa de identificação, à mesa, com o número atualizado de mortos pela covid no País. Desde ontem, Renan substituiu a placa com seu nome pelo total de óbitos.

O ex-presidente Lula também foi criticado durante a primeira agenda do presidente, na manhã desta quinta. Em seu discurso, o ministro do Turismo, Gilson Machado, afirmou que o nordestino gosta é de governo. “O nordestino não gosta do PT, não”, disse. Neste momento, os apoiadores de Bolsonaro começaram a gritar “Lula ladrão”. Machado aproveitou o evento para entregar um cheque para o Banco do Nordeste no valor de R$ 500 milhões e outro para o Banco Desenvolve Alagoas no valor de R$ 20 milhões com o objetivo de incentivar o setor de turismo da região.

Voto impresso

Além do evento para a entrega do residencial, o presidente está na capital alagoana para inaugurar um complexo viário entre as BRs 104 e 316. À tarde, Bolsonaro seguiu para São José da Tapera para inaugurar um trecho do Canal Sertão Alagoano.

Com máscara no queixo, Bolsonaro abraçou e beijou eleitores, segurou crianças no colo e, mais uma vez, incentivou aglomerações. Entretanto, quem protagonizou a visita de Bolsonaro ao Sertão de Alagoas foi o presidente da Câmara Federal, deputado federal Arthur Lira (PP).

Durante discurso na solenidade de inauguração do trecho IV do Canal do Sertão, na cidade de São José da Tapera, o presidente deu ao aliado político a “paternidade” do voto impresso. “O voto impresso tem nome. A mãe é a deputada federal Bia Kicis, lá de Brasília, e o pai é o Arthur Lira”, disse Bolsonaro. /COLABOROU ERICK BALBINO

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