Gabriela Biló/Estadão - 25/2/2021
Gabriela Biló/Estadão - 25/2/2021

Arthur Lira critica abertura de CPI da Covid: ‘Não é momento de apontar o dedo’

Presidente da Câmara justificou a posição contrária à CPI dizendo que o momento é de imunizar a população

Camila Turtelli e Breno Pires, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2021 | 18h52

BRASÍLIA –  O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), criticou a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar a condução do governo durante a pandemia. Em um evento da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), na cidade de Arapiraca, em Alagoas, Lira afirmou não ser esse o momento de “apontar o dedo para ninguém”.

“A CPI não nasce à toa. Tem de ter um fato determinado e tem de ter as assinaturas. E ela tem de ter a ocasionalidade. Eu comungo da ideia de que esse momento não é momento de se encontrar culpados, de se apontar o dedo para ninguém”, disse Lira a jornalistas no evento. 

O governo do presidente Jair Bolsonaro age para conter danos com a CPI da Covid no Senado, que teve sua instalação determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta, 8. Uma das estratégias, segundo o Estadão/Broadcast ouviu de aliados do Palácio do Planalto, será convencer senadores a retirar assinaturas de apoio ao funcionamento da comissão, o que pode inviabilizá-la.

Na campanha à presidência da Câmara, Lira já havia se manifestado contra a abertura de um CPI que tenha o governo como foco.  “Esse assunto não pode ser motivo de embates políticos para trazermos para a discussão traumas, interrupções bruscas democráticas”, disse Lira ainda em janeiro, quando era o candidato apoiado pelo Palácio do Planalto para substituir Rodrigo Maia (DEM-RJ). 

No evento desta sexta-feira, 9, em seu Estado, Lira justificou a posição contrária à CPI dizendo que o momento é de imunizar a população. “O momento é de se correr atrás de vacina seja lá onde ela estiver e apontar seringa e agulha no braço dos brasileiros. Esse é o momento. Daqui a dois, três meses, esses culpados vão estar morando em outro lugar, vão estar apagadas as provas? Vão estar escondidas as evidências? Não”, disse.  

Lira voltou a dizer que a pandemia não deve ser politizada. “Eu não estou com isso dizendo que quem errou não pague. Quem errou vai pagar. O preço de 300 mil vidas é muito alto para qualquer sociedade. Mas não neste momento e não desta maneira”, disse. 

Barroso determinou que o Senado instale uma CPI para investigar ações e omissões da gestão Bolsonaro no combate à pandemia. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), criticou a decisão, mas afirmou que vai obedecer a determinação e ler o requerimento de instalação da CPI na semana que vem.

“A decisão de mandar instalar foi do ministro do Supremo Tribunal Federal. E o presidente do Senado foi bastante equilibrado. Decisão judicial você não discute, você cumpre. Agora você pode concordar ou não, mas cumpre”, disse Lira.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.