Em AL, 120 mil vão voltar às urnas

Quatro prefeitos foram cassados e em outros 12 municípios eleições de outubro também estão sub judice

Vannildo Mendes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

14 de fevereiro de 2009 | 00h00

Cerca de 120 mil eleitores alagoanos terão de retornar às urnas em 15 de março para escolher os novos prefeitos de quatro municípios onde as eleições de outubro passado foram anuladas por fraudes. São crimes que vão de compra de votos a falsificação de título, aluguel de domicílio a cadastro de eleitores fantasmas, incluindo defuntos. Os prefeitos eleitos de Porto Real do Colégio, Estrela, São José da Laje e Porto de Pedras foram cassados e dois deles chegaram a ser presos por corrupção eleitoral. Em outros 12 municípios, a eleição está sub judice e o destino pode ser o mesmo.No ranking da Justiça Eleitoral, Alagoas foi, proporcionalmente, o Estado campeão de fraudes nas últimas eleições. As mais de 2 mil denúncias formuladas por Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e juízes eleitorais cobrem 100% dos 105 municípios do Estado. Só na Procuradoria Regional Eleitoral foram abertos 901 processos de fraudes, de junho a dezembro de 2008. As queixas resultaram em 209 inquéritos criminais na Polícia Federal e dezenas de cassações, algumas já confirmadas e outras na reta final de julgamento.A situação impressionou a procuradora regional eleitoral Niedja Kaspary, que foi além das tarefas profissionais e moveu uma cruzada contra a corrupção eleitoral no Estado. "Como procuradora, cumpri o meu dever, mas como cidadã o meu sentimento foi de indignação e vergonha", disse ela.CARTILHANiedja visitou feiras livres e bairros populares, distribuiu cartilha anticorrupção nas ruas, escolas e postos de saúde. Fez reuniões com promotores eleitorais para cobrar a impugnação de candidatos com ficha suja e até promoveu um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com os partidos para evitar que lançassem candidatos com vida pregressa incompatível com o cargo.Na época, o governo estadual pediu reforço de tropas do Exército, da Polícia Federal e da Força Nacional de Segurança Pública. A pedido do desembargador Antônio Sapucaia, a Arquidiocese de Maceió mobilizou as paróquias de todos os municípios para que os fiéis orassem e se engajassem no esforço em defesa de eleições limpas.Além de exigir reforço de tropas no dia da eleição, Alagoas foi o único Estado onde a Polícia Federal teve de realizar operações específicas de combate a fraudes eleitorais, tarefa geralmente entregue a forças policiais estaduais. Além do dia da eleição, foram feitas duas grandes mobilizações entre outubro e dezembro, envolvendo mais de 200 policiais, parte deles deslocada de outros Estados.PRISÕESA Operação Voto Nulo, em 15 de outubro, cumpriu sete mandados de prisão e 20 de busca e apreensão nas cidades de Porto de Pedras e Barra de Santo Antônio. Em 16 de dezembro, a Operação Voto de Cabresto cumpriu dez mandados de busca e apreensão relacionados à compra de votos e aliciamento de eleitores em Maceió.De acordo com as investigações, eleitores foram aliciados por cabos eleitorais dos candidatos que compravam os votos por R$ 30 e R$ 50. Com o valor, os eleitores eram obrigados também a afixar, em suas casas, bandeiras e adesivos dos candidatos investigados. FRASENiedja KasparyProcuradora regional eleitoral de Alagoas "Como procuradora, cumpri o meu dever, mas como cidadã o meu sentimento foi de indignação e vergonha"

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