Em acordo provisório, MST libera prédio onde funciona Incra

A direção do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) chegou a um acordo provisório para a liberação de sua sede em Brasília, ocupada desde o início desta manhã, 16, por militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Segundo a assessoria do Incra, os militantes aceitaram liberar o acesso a todas as salas do prédio de 23 andares, no setor bancário de Brasília, e se concentraram na garagem do edifício. Uma reunião para discutir as reivindicações do movimento deve ocorrer no final desta tarde, no auditório do Incra. Os sem-terra deixarem os nove andares em que estavam, liberaram o acesso aos servidores e passaram a se concentrar na garagem do imóvel. "Vamos aguardar a reunião para definir o que faremos", disse Dinda Vogado, da Coordenação do MST no Distrito Federal, que irá participar da reunião com o presidente do Incra, Rolf Hackbart.JustiçaO acordo foi obtido depois que o governo solicitou judicialmente a reintegração de posse do prédio, onde funcionam também outros órgãos, como o Ministério do Desenvolvimento Agrário e a Advocacia Geral da União. O juiz que recebeu o pedido ainda não havia proferido sua decisão quando o acordo foi fechado. Cerca de 800 pessoas ligadas ao MST, à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e ao Movimento de Apoio aos Trabalhadores Rurais (MATR) ocuparam o edifício Palácio do Desenvolvimento, por volta das 5 horas, e receberam mantimentos e colchões para manter a ocupação. Eles reivindicam o assentamento de 1.800 famílias acampadas na área do Distrito Federal e regiões próximas, créditos e assinatura de convênios para construir casas nos assentamentos. "O MST exige que o governo Federal cumpra o seu compromisso e faça um verdadeiro mutirão de todos os órgãos públicos envolvidos na questão para assentar as 150 mil famílias acampadas pelo País", afirmou o MST. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou com a direção da Contag na última sexta-feira e prometeu estudar uma pauta que inclui a redução das exigências legais para a desapropriação de terras consideradas improdutivas. ´Jornada de Lutas´A ocupação da sede nacional do Incra faz parte da "Jornada de Lutas" que o MST realiza no mês de abril há 11 anos para exigir reforma agrária e protestar contra o chamado "massacre de Eldorado dos Carajás", quando 19 sem-terra morreram em confronto com a Polícia Militar do Pará. O episódio completa 11 anos nesta terça-feira. Segundo a direção do MST, este ano há protestos do movimento em nove Estados. Uma área pertencente ao Exército Brasileiro em Papanduva (SC) foi ocupada no último domingo, mas os sem-terra deixaram o terreno na manhã desta segunda-feira, após acordo. Nesta segunda, militantes ocuparam a ponte sobre o rio Tocantins em Estreito (MA) e áreas de terra públicas e particulares em Barra do Piraí e Campos, no Rio de Janeiro. A onda de ocupações do MST incluiu uma área próxima à fazenda do Galho, no município de Guaçuí (ES), que o movimento considera improdutiva. Os sem-terra querem sua desapropriação e a criação de um assentamento para 50 famílias no local. O MST fez também três ocupações de terras na região de Andradina, no norte do Estado de São Paulo, como protesto ao que chama de morosidade do Poder Judiciário para assinar ordens de posse de áreas adquiridas para a reforma agrária.(Colaborou Gustavo Porto)

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