Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

Em acerto com Lula e Dilma, Marta desiste e Haddad será candidato do PT

Num roteiro combinado com a senadora, a presidente lhe pediu que se retirasse do páreo

Julia Duailibi, Vera Rosa e Andrei Netto, enviado especial de O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2011 | 22h40

SÃO PAULO, BRASÍLIA e CANNES - Em ação conjunta com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente Dilma Rousseff pediu na segunda-feira, 31, à senadora Marta Suplicy (PT-SP) que abandone sua pré-candidatura à Prefeitura da capital paulista na eleição de 2012. A ação abre caminho para chancelar o ministro Fernando Haddad (Educação) como o candidato do PT na disputa.

 

O encontro entre Marta e Dilma, e o respectivo pedido de desistência, foram divulgados pela própria Presidência da República em ato acertado com a senadora. O apelo feito por Dilma faz parte do roteiro combinado com Marta, que anuncia na quinta-feira, 3, em São Paulo a desistência da pré-candidatura à Prefeitura.

 

Acuada no PT pela operação de Lula a favor de Haddad, a ex-prefeita paulistana ficou sem respaldo interno para dar continuidade ao projeto de disputar prévias, marcadas para novembro.

 

O convite da Presidência a Marta para a conversa foi feito na segunda-feira. A reunião entre as duas acabou ocorrendo horas depois, no Aeroporto de Congonhas, dentro do avião presidencial. Depois do encontro, Dilma visitou Lula num hospital da capital, onde ele deu início a tratamento de saúde, e relatou a conversa ao ex-presidente. À noite, embarcou para Cannes, onde participa de reunião do G-20.

 

"Dilma fez um apelo, afinada com o presidente Lula, para que Marta desista da candidatura", divulgou na terça-feira, 1º, em Cannes, a ministra da Secretaria de Comunicação Social, Helena Chagas.

 

Lula e Dilma já haviam conversado sobre a necessidade de buscar uma saída para Marta durante viagem para Manaus, no último dia 24. Embora tenha boa inserção na base do PT e lidere as pesquisas de intenção de voto, Marta amarga um isolamento gradual entre os parlamentares e dirigentes do partido desde que perdeu a eleição para a Prefeitura paulistana em 2008.

 

A situação piorou com a operação de Lula pró-Haddad, que culminou no apoio de 60% do partido à pré-candidatura do ministro. As prévias tornaram-se, então, uma operação de risco para a ex-prefeita, e o lema no PT foi buscar uma "saída honrosa".

 

O vazamento pela Presidência do pedido de desistência feito à senadora atende tanto aos anseios do governo quanto aos da própria Marta, que preparou o caminho para a desistência.

 

Ministério. Agora a negociação passa por acomodar a senadora em um local de prestígio. Os petistas dizem que Dilma não sinalizou com nenhum cargo, mas teria feito projeções para o futuro. Marta ambiciona o Ministério da Educação. Segundo integrantes do partido, ela pode ser indicada para a Cultura, numa eventual reforma ministerial no ano que vem, ou conseguir o apoio do governo num voo mais alto, como disputar a presidência do Senado - hoje ela ocupa a vice.

 

Desde que ouviu de Lula que seria melhor desistir da candidatura em agosto, Marta já dava sinais de que não se manteria no páreo. "Não dá para enfrentar o Lula", disse a interlocutores.

 

Assim como a articulação para a desistência de Marta, o ex-presidente também montou operação para os demais pré-candidatos, os deputados Jilmar Tatto e Carlos Zarattini e o senador Eduardo Suplicy, saíssem da disputa. No PT, avalia-se ser mais fácil a desistência de Zarattini e Tatto. O Estado apurou que o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), colabora com o ex-presidente na operação de convencimento de Tatto, que passa pela indicação para a liderança do PT na Câmara.

 

Os dois deputados, no entanto, negam que pretendam abrir mão das prévias. "Da minha parte, não muda nada. O processo para a liderança do partido é independente do processo de disputa na capital", afirmou Tatto. "Vou manter minha candidatura. Vamos trabalhar pela unidade do partido. As prévias não colocam em risco a unidade", disse Zarattini, que já apresentou a lista de apoios necessários para se inscrever na disputa.

 

Suplicy pode não abrir mão da eleição interna, como fez em outras ocasiões - ele disputou prévia com Lula para se candidatar a presidente em 2002, apesar dos apelos no partido para que desistisse. Sua candidatura, no entanto, encontra pouco respaldo.

 

O senador pediu aos filiados, ontem, que assinassem a lista de apoio a seu nome, para se inscrever na eleição interna. "Se você é filiado do PT em S. Paulo agradeço se puder me ligar nesta quarta-feira", disse Suplicy, por meio do Twitter.

 

São necessárias 3.181 assinaturas de filiados para que uma pessoa possa se inscrever na prévia.

 

Eleitorado. Lula lançou a operação Haddad após avaliar que o ministro tem mais condições de conseguir votos do eleitor conservador paulistano, que resiste ao PT. O ex-presidente avalia que Marta não tem como ultrapassar os 30% de votos que o partido tem tradicionalmente na capital: ela começa com a intenção de votos alta, em razão do recall das últimas eleições, depois cai.

 

"Marta foi a melhor prefeita que São Paulo já teve. É uma das lideranças do PT, mas Dilma apelou para que ela permaneça como primeira vice-presidente do Senado, onde ela tem um papel muito importante para o governo", disse Helena Chagas.

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