''Em 2010, não estou mais aqui'', diz governador, em ato falho

Ele também comemora fato de aparecer em pesquisa como favorito na corrida pela sucessão de Lula

Silvia Amorim, O Estadao de S.Paulo

09 de dezembro de 2008 | 00h00

No mesmo dia em que comemorou o resultado da pesquisa Datafolha que apontou seu favoritismo para a sucessão presidencial, o governador José Serra cometeu um deslize e, em discurso, declarou que não estará à frente do governo paulista em "2010, 2011". "Mas em 2010, 2011 não estou mais aqui", disse o tucano, durante a cerimônia de lançamento, no Palácio dos Bandeirantes, da Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade (Investe São Paulo). Serra ouvia de um de seus auxiliares as metas do seu governo para os próximos anos na área de ciência e tecnologia e ficou descontente com o baixo número de bolsistas do Instituto de Pesquisa e Tecnologia (IPT) que fariam cursos no exterior pagos pelo governo. Diante das explicações do assessor de que o ritmo aumentaria nos próximos anos, soltou a frase. A gafe arrancou risos da platéia. Segundo a pesquisa Datafolha divulgada ontem, Serra lidera as preferências para a disputa presidencial com taxas que variam de 36% a 47%, conforme o cenário, com concorrentes como a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) e o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB).O governador mostrou-se contente com o resultado. "É bom estar na frente em uma pesquisa", disse. "Mas tenho presente que faltam dois anos para a eleição e pesquisa é fotografia. Agora, estar bem na foto não é ruim. Me agrada." Serra afirmou que não tem nenhuma fórmula para essa liderança. "Eu não fiz nada para chegar a esse patamar nem estou preocupado em como manter. Minha preocupação é trabalhar em São Paulo."Sobre a gafe cometida no discurso, tentou se explicar. "Disse isso porque meu mandato termina em 2010. Em 2011 eu não sei onde estarei. O fato é que eu quero que as coisas importantes terminem até 2010. É um sentimento natural", justificou.Serra reagiu com ironia às declarações de petistas de que os culpados pela crise mundial no País são o PSDB e DEM. O discurso foi a tônica do seminário promovido pela ala do PT liderada pelo ex-deputado José Dirceu no interior paulista no fim de semana. "Ah, sim, claro. O PSDB saiu do governo em 2002 e, vejam vocês, tem um poder extraordinário, que seis anos depois, com amplo apoio da opinião pública que o governo tem e maioria no Congresso, a culpa é do PSDB. Eu acho algo até engraçado", respondeu Serra.

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