Em 2009, para Afif, Dilma não tinha biografia para ser presidente

Em vídeo, vice-governador de SP e agora ministro do governo federal questionou competência da atual presidente e em campanha eleitoral atacou excesso de ministérios

Lilian Venturini e Luciano Bottini Filho - O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2013 | 20h00

Ao aceitar o convite para assumir a Secretaria da Micro e Pequena Empresa, o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, se disse "muito honrado" com o convite da presidente Dilma Rousseff. Quatro anos antes, porém, a petista foi classificada por ele como alguém sem "biografia política" para presidir o Brasil.

"É a mesma coisa que você entregar um boeing para quem nunca pilotou um teco-teco", declarou a jornalistas em 2009, ao comentar a candidatura da então ministra Dilma Rousseff à Presidência. Na mesma ocasião, dias depois do apagão em Itaipu, Afif apontou falhas no setor elétrico e alfinetou a gestão do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Quando você quer politizar setores técnicos, quando você quer aparelhar setores técnicos, a consequência é apagão em todos os lugares." Quando tomar posse da secretaria, nesta quinta-feira, 10, Afif vai comandar o 39º ministério. Sua ida à Brasília simboliza a aproximação do PSD, seu atual partido, ao governo Dilma.

Na campanha eleitoral de 1989, quando disputava a Presidência, Afif atacou o excesso de ministérios e chegou a defender o fechamento de dez das 23 pastas. "O presidente da República, quando se senta em uma reunião ministerial, tem que ouvir um comício. E vai perder muito tempo em reunião, porque é muita gente para falar e me parece pouca gente para fazer."

Nessa disputa Afif mostrava-se como alternativa aos partidos de direita e de esquerda. "Temos uma direita que mamou [no governo] até agora. Temos uma esquerda que em nome das mudanças quer mamar daqui para frente."

De trajetória liberal e ligado ao setor empresarial, Afif já fez parte da gestão de Paulo Maluf em São Paulo e em 2007 ocupou cargos no governo de José Serra (PSDB). Em 2009, ano em que definiu o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) como "Plano de Abuso da Credulidade", Afif também criticou os programas de transferência de renda, outra bandeira do governo petista. "Acredito que a autosustentabilidade de cada um tenha que ser vista como uma saída aos programas de transferência de renda. Os programas são importantes para poder ajudar as pessoas dentro das suas emergências, mas não para serem eternizados", disse em entrevista a um programa sobre empreendedorismo.

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