Em 2º lugar nas pesquisas, Tarso é alvo em debate no RS

Mesmo em desvantagem nas pesquisas eleitorais, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), candidato à reeleição, foi o alvo preferido dos outros concorrentes durante debate na Rádio Guaíba, do Grupo Record, na tarde desta quarta-feira, 24. O clima esquentou durante enfrentamento direto do petista com a líder das pesquisas, a senadora Ana Amélia Lemos (PP). O governador acusou a adversária eleitoral de estar preparando um "choque de gestão" com cortes de programas de desenvolvimento e arrocho salarial do funcionalismo. A senadora afirmou que o Estado aumentou muito o gasto com diárias.

ELDER OGLIARI, Estadão Conteúdo

24 de setembro de 2014 | 17h37

A discussão começou quando Tarso anunciou que vai aumentar os gastos com saúde, educação e segurança e desafiou Ana Amélia a explicar o que cortaria do orçamento para reduzir tais despesas, sugerindo que a candidata faria a mesma coisa que Fernando Henrique (Cardoso, ex-presidente da República), a quem acusou de não ter política de desenvolvimento industrial, aplicar juros estratosféricos e desmobilizar o setor público com prestador de serviços.

Ana Amélia respondeu que o orçamento de Tarso para 2015, já enviado à Assembleia Legislativa, prevê crescimento de 12% na receita quando a perspectiva de crescimento econômico é inferior a 2%. Também acusou a gestão atual de financiar seus gastos com saques no sistema de caixa único do Estado e dos depósitos judiciais. "Não dá para pagar custeio com cheque especial", reiterou.

O governador lembrou que a reestruturação da dívida com a União, que o Senado pode aprovar em novembro vai permitir que o Estado faça investimentos e aumente gastos com as três rubricas. "A senhora não disse que políticas sociais vai cortar", provocou. "Não há mistério, é só gastar bem o dinheiro do povo", rebateu Ana Amélia, passando a citar o aumento das despesas com diárias, de R$ 60 milhões em 2010 para R$ 155 milhões em 2014. Tarso lembrou que o valor das diárias estava sem reajuste havia seis anos e que o Estado precisa pagá-las a funcionários que se deslocam, como os que reforçam os serviços públicos no litoral durante o verão, entre os quais policiais. Ana Amélia esperou a hora de se despedir para tentar marcar diferenças. "Temos um modelo muito gastador, sem nenhuma preocupação, como se estivéssemos nadando em dinheiro e um com responsabilidade para gastar o dinheiro do povo", comparou.

Outros candidatos usaram a divida do Estado com a União, de R$ 50 bilhões, para criticar Tarso. Roberto Robaina (PSOL) defendeu a suspensão do pagamento. O governador lembrou que há contratos a serem cumpridos e que a inadimplência impediria o Estado de receber repasses federais. Vieira da Cunha (PDT) disse que o governo deveria ter questionado a dívida na Justiça. "O Estado teve grande oportunidade e não aproveitou", ressaltou José Ivo Sartori (PMDB), referindo-se aos 12 anos de governo federal petista e aos quatro de Tarso em que a dívida não foi renegociada.

O governador reafirmou que há acordo para o Senado aprovar em novembro a mudança do indexador, do IGP-DI para o IPCA, graças a uma negociação que ele liderou, e previu que isso dará espaço fiscal para mais investimentos a partir de 2015. "O Rio Grande já mudou muito, para melhor", comentou, defendendo sua gestão. Também participaram do debate Edison Estivalete (PRTB) e Humberto Carvalho (PCB).

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.