PAULO LIEBERT|ESTADÃO
PAULO LIEBERT|ESTADÃO

Em 13 anos, de analista a sócio do Banco BTG

Formado em matemática, André Esteves acredita que ‘correr riscos fazparte do progresso’ eque ‘erros ensinam’

Aline Bronzati e Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

26 Novembro 2015 | 07h12

O banqueiro André Santos Esteves, de 47 anos, preso na Lava Jato nesta quarta-feira, 25, é dono de um banco de mais de R$ 300 bilhões em ativos. Sua história e a do BTG Pactual se confundem. Ingressou na instituições como analistas de sistemas, em 1989, quando a instituição chama-se apenas Pactual. Teve um ascensão meteórica.

Em 1993, apenas 4 anos depois, tornou-se sócio, em 2002 assumiu o cargo que equivalia a presidente. Já no topo, participou da venda do banco para o suíço UBS por US$ 3,1 bilhões, em 2006, para três anos depois recomprá-lo por menos. Na época, desembolsou US$ 2,5 bilhões e criou o BTG Pactual. As três letrinhas inicias seriam, contava o próprio Esteves, uma brincadeira em tom de provocação: a sigla para Back to the Game (de volta ao jogo) ou Better than Goldman (melhor do que o Goldman Sachs).

De lá para cá, tornou-se um dos maiores bancos de investimentos do País e viu seu lucro anual crescer mais de cinco vezes, enquanto os ativos multiplicaram-se por dez. Em seus mais de 30 anos, desde quando era apenas o Pactual, marcou presença entre as principais operações financeiras e também as mais complexas.

Ajudou a viabilizar projetos como as empresas X, de Eike Batista, a Sete Brasil, criada para operar as sondas da Petrobrás, e várias outras. Foi grande atuante no boom de ofertas de ações, em 2007, quando foram feitas mais de 70 operações, incomodando concorrentes como o Credit Suisse.

No ano passado, conforme ranking de financiamento de projetos da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o BTG ficou na terceira colocação como assessor financeiro de leilões de concessão, considerando valores. Em fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês), galgou a segunda posição ao final de junho. Também tem posição de destaque nos demais rankings.

Ao fim de setembro, o BTG somava patrimônio líquido de R$ 22,119 bilhões. Apesar de ter caído no terceiro trimestre, seu índice de Basileia, que mede o quanto o banco pode emprestar sem comprometer o seu capital, de 14,3%, é superior ao mínimo exigido pelo Banco Central, de 11%. O BTG tem 5,9% de ações do UOL, empresa do Grupo Folha, que edita o jornal Folha de S.Paulo.

Formado em matemática pela UFRJ, além de presidente do BTG, Esteves foi diretor da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e atualmente integra o conselho de administração da BM&FBovespa. Com perfil enérgico, sempre acreditou que correr riscos era parte do progresso e que erros não só acontecem como ensinam.

Após sua prisão pela PF, o BTG informou, em nota, que “está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários e que vai colaborar com as investigações”. A BM&FBovespa não comentou.

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