Em 12 dias, partido passa de noiva a ''Geni''

Vitórias na Câmara e no Senado foram ofuscadas por acusações

Christiane Samarco, O Estadao de S.Paulo

08 de março de 2009 | 00h00

Vitaminado pelas urnas e esbanjando força partidária, política e eleitoral, o PMDB precisou de apenas 12 dias para transitar do paraíso ao inferno. No auge da glória e do regozijo com a conquista do poder na Câmara e no Senado, em 2 de fevereiro, o PMDB vestia o figurino de noiva cobiçada pelo governo e pela oposição. Depois da entrevista do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) à revista Veja, dizendo que boa parte da legenda "quer mesmo é corrupção", e da frustrada operação para tomar o comando do fundo de pensão Real Grandeza, o PMDB reforçou a marca fisiológica e passou de noiva a Geni - a prostituta da música de Chico Buarque, "feita para apanhar".As explicações para o "efeito Jarbas" são várias, mas na avaliação da cúpula dirigente o governador de São Paulo, José Serra, é o beneficiário da má fama do partido que teria dificultado a vida de seu concorrente no PSDB, o governador Aécio Neves (MG). Foi na certeza de que Jarbas prestou um serviço a Serra, que a cúpula do PMDB mandou um recado ao governador paulista, antes que o senador voltasse à tribuna na terça-feira. No recado, a informação de que Jarbas estava jogando o jogo de Serra.RECUOOs dirigentes peemedebistas acreditam que o recado surtiu efeito porque Jarbas "recuou dos ataques agressivos" que havia desferido contra o partido e suavizou o discurso na semana passada. Observam que o nome da legenda não foi mencionado uma única vez no discurso. A avaliação geral na cúpula partidária é que o PMDB cresceu demais, ficou forte demais, e isso não interessa a ninguém. Nem ao PSDB de Serra, nem ao PT da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que não abre mão de indicar o cabeça de chapa em 2010, e menos ainda aos aliados do PSB que querem lançar Ciro Gomes (CE) na corrida sucessória."É natural que um partido com todo esse potencial eleitoral entre na berlinda e vire alvo de críticas e das mais variadas manifestações acusatórias", diz o presidente nacional do partido e da Câmara, Michel Temer (SP), certo de que o crescimento da legenda soa como ameaça a outros partidos. "O PMDB conquistou poder demais e isso está incomodando muita gente", reforça o líder na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). "Os partidos que estão mais próximos da gente sonham com casamento e veem o PMDB como uma bela noiva. Os mais distantes é que querem nos transformar em Geni."''MASSACRE''Nas reuniões reservadas em que se discutiu o discurso de Jarbas, os apartes de apoio ao senador, todos de parlamentares do PSDB e do DEM, foram citados como prova de que o "massacre" serve aos interesses da oposição. Os peemedebistas não têm dúvida de que setores dos dois partidos ligados a Serra trabalham para enfraquecer o PMDB, porque sabem que uma candidata desconhecida como Dilma só se viabilizará em 2010 em parceria com a legenda.Também foram debatidos internamente, no PMDB, a volta ao poder do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e seus efeitos. Boa parte dos ataques ao partido já era esperada com Renan na condição de protagonista, como líder da bancada. Alguns peemedebistas da Câmara e do Senado avaliam que ele retornou cedo demais, para quem fora obrigado a renunciar à presidência do Senado pouco mais de um ano antes, como única saída para escapar da cassação. Avaliou-se que haveria reação à volta do líder porque o episódio da renúncia ainda era muito recente.

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