"Elias Maluco" diz que pagou propina a policiais

Elias Pereira da Silva, o "Elias Maluco", criminoso mais procurado do Rio e apontado como responsável pela morte do jornalista Tim Lopes, admitiu que traficantes financiavam bailes funk e afirmou já ter pago R$ 80 mil de propina a policiais para livrar-se da prisão.As declarações foram dadas em entrevista à Agência Estado, publicada em 17 de setembro de 1995. Lopes desapareceu no dia 2, na Favela Vila Cruzeiro, na Penha, onde apurava denúncia de consumo de drogas e exploração de meninas em um baile funk, promovido por Elias Maluco.Na entrevista de 1995, ao repórter Cláudio Renato, hoje na TV Globo, Maluco diz ter pago R$ 80 mil a policiais da 3ª DP. Foi preso novamente em 1996, mas obteve habeas-corpus quatro anos depois e não foi mais pego.Há contra ele mandados de prisão por homicídios, tráfico e formação de quadrilha. É acusado da morte de quatro PMs, em 1993, que resultou na chacina de Vigário Geral. Na época da entrevista, tinha 30 anos e era considerado um dos dez maiores seqüestradores do Rio.Financiava bailes funk em Vigário Geral e Jardim América. Mas disse que o tráfico não tinha lucro com isso, "porque funkeiro é duro". Rodeado de adolescentes com fuzis e celulares, o traficante, que se disse fã de Caetano Veloso, comunicava-se com seus "soldados" com a senha Fé em Deus. Então casado com uma evangélica, pai de cinco filhos, disse que não saía do tráfico por causa dos amigos e da "mulherada".Sobre o Comando Vermelho, facção que hoje é acusado de liderar disse: "Isso é onda. O que existe é amizade. Conheci o Marcinho VP quando o Flávio Negão morreu. A gente é amigo." Com a morte de Negão, em 1995, Elias Maluco, então gerente da boca-de-fumo, assumiu a liderança do tráfico em Vigário Geral e virou homem de confiança de Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP, do Complexo do Alemão.Com a prisão de Marcinho VP, passou a gerenciar o tráfico no Alemão, onde Lopes foi morto. Sobre a propina, disse ao Estado: "Uma vez, O Globo publicou uma galeria de seqüestradores e eu tava lá. Naquele dia, li O Dia, O Povo, até o Jornal do Brasil, mas não O Globo. Aí, rodei. Me levaram para a 3ª DP. Morri em uns R$ 80 mil e fui liberado. Sou acusado da morte de quatro policiais. Mas eu nem estava aqui, servi de bucha (bode expiatório)."Durante a entrevista, puxou uma nota de R$ 1 e pagou sorvete para uma menina de 5 anos. "Essas crianças adoram bandido."

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