Eleitores questionam contradições do PT

Público e internautas estranham apoio de Lula a outros candidatos, como Crivella, do PRB

Alexandre Rodrigues, O Estadao de S.Paulo

23 de agosto de 2008 | 00h00

Deputado estadual em segundo mandato, de 36 anos, ainda pouco conhecido do eleitorado, o candidato do PT, Alessandro Molon, ouviu questionamentos por causa das contradições que envolvem o seu partido e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Rio. Internautas que enviaram perguntas pelo portal www.estadao.com.br - que transmitiu a sabatina, via TV Estadão e com flashes - e participantes na platéia quiseram saber por que Lula apóia também outros candidatos, como Marcelo Crivella (PRB), líder das pesquisas.   Veja o vídeo da sabatina com o candidato Alessandro Molon"Naturalmente, o presidente tem os constrangimentos e limitações de um chefe de poder preocupado com a governabilidade pós-eleição", justificou. Diferentemente de São Paulo, onde gravou depoimento de apoio à candidata petista Marta Suplicy, Lula decidiu ficar de fora da campanha no Rio.Participantes da platéia, reunida na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) para assistir à sabatina de Molon, conduzida por jornalistas do Grupo Estado, quiseram saber detalhes da divisão do PT entre o lançamento de seu nome na disputa e a proposta de adesão às candidaturas de esquerda como a de Jandira Feghali (PC do B). Molon afirmou que conquistou o apoio dos principais líderes do partido. "Não sinto desamparo dentro do partido, ao contrário. Fui escolhido nas prévias por 70% dos votos. Não falta legitimidade", sustentou.O parlamentar também comentou uma declaração do vice-presidente da República, José Alencar, nas inserções de TV do candidato do PRB, senador Marcelo Crivella (PRB). Companheiro de partido do senador, Alencar diz na inserção que Crivella "é o candidato do coração do presidente Lula". "Acho que quem entende do coração do presidente Lula é dona Marisa, não o vice-presidente", reagiu Molon, bem-humorado.Em resposta aos estudantes de comunicação da Faculdade Hélio Alonso (Facha) Brenno Marques e Tatiana Fernandes, que estavam no auditório, Molon defendeu a permanência da Guarda Municipal 24 horas nas ruas, mas sem armas de fogo. "Não devemos criar uma nova polícia à margem da Constituição. No máximo, os guardas poderiam usar armas não letais, como dispositivos que imobilizam com choque.""Faltou tocar na questão financeira, saber se a prefeitura tem como bancar um turno a mais. É fácil soltar um projeto e não dizer como", criticou Marques. Tatiana queria saber mais sobre o passado do candidato. "Faltou falar sobre sua trajetória, o que fez como deputado. Não citou nenhum projeto".Molon propôs elevar o gasto municipal em cultura para 1% do Orçamento, logo no primeiro ano, e citou a Cidade da Música - um complexo para música clássica em construção pela prefeitura na Barra da Tijuca a um custo de cerca de R$ 500 milhões - como exemplo do desequilíbrio da gestão cultural. Prometeu revitalizar cinemas, teatros e casas de show na periferia. O autor da pergunta sobre cultura, Jorge Mesquita, diretor de uma academia de tango, gostou da resposta, mas continuou indeciso.FAVELIZAÇÃOO petista defendeu uma política habitacional e de transportes para combater a favelização, mas disse que ainda vai se informar com a Caixa Econômica Federal sobre a possibilidade de firmar parcerias no setor. Em resposta à estudante Graziela Gama, da Universidade Estácio de Sá, Molon prometeu dobrar o investimento em habitação, mas evitando grandes conjuntos habitacionais. Ele disse gostar do modelo de arrendamento residencial para pequenos condomínios. Defendeu ainda a revitalização de áreas esvaziadas em infra-estrutura, como o subúrbio da região da Leopoldina e as margens da Avenida Brasil, na zona norte do Rio.

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