Eleitores estreantes cobram sinceridade

Para estudantes, discursos são adequados ao que a plateia quer ouvir; candidato mais criticado foi Paulo Bufalo

Roldão Arruda, de 'O Estado de S. Paulo'

25 de agosto de 2010 | 01h44

Na opinião de seis estudantes que vão votar neste ano pela primeira vez, os candidatos que participaram do debate de ontem não chegaram a inspirar confiança no que diziam. Para eles, os discursos parecem bem treinados e adequados ao que as plateias querem ouvir, mas pouco sinceros.

 

O candidato mais criticado por eles foi Paulo Bufalo, do PSOL. "Ele comete muitos erros de português e tem uma voz chata. Parece pouco preparado", disse Lucas Paris, de 16 anos, do Colégio Humboldt.

 

Pela avaliação dos estudantes, Paulo Skaf, do PSB, e Aloizio Mercadante, do PT, foram os que conseguiram ser mais didáticos nas respostas. Fábio Feldmann, do PV, foi elogiado por introduzir temas ecológicos no debate, especialmente a defesa do uso de energia limpa.

 

Geraldo Alckmin, do PSDB, recebeu críticas por não ter respondido a Mercadante, quando ele perguntou se o tucano matricularia os filhos em uma escola pública do Estado. "Não ficou bem para ele. Tentou dar uma volta em torno do assunto, mas ficou muito evidente que estava fugindo", comentou Marina Reis Delgadinho, 16 anos, do Colégio Pentágono.

 

Os seis estudantes assistiram ao debate a convite do Estado. Eles admitiram ao final que, se não fosse o convite, não teriam visto. De maneira geral estão bem atentos ao cenário político, mas descontentes com os rumos das eleições deste ano - a primeira em que estão aptos a votar.

 

"Tudo está ficando muito polarizado entre dois partidos, o PT e o PSDB. Há pouco espaço para outras opções", disse Fernanda Gomes, 17, do Humboldt. "Ficou tudo previsível. Uma das poucas novidades deste ano é a presença mais forte do PV."

 

As críticas vão além das eleições deste ano. Eles acreditam que a raiz dos problemas está no próprio sistema político. "Os partidos não têm definição ideológica clara. Ocorrem alianças e coligações sem nenhum princípio. Já nem se consegue mais perceber o que é direita e o que é esquerda, como acontecia no tempo em que meus pais tinham a minha idade", observou Mariana Boujkian Felippe, 17, da Escola Mobile.

 

Para Pedro Lopes Gebrim, 16, do Colégio Equipe, um dos principais problemas é que por trás de cada político existem doadores financeiros que acabam controlando o processo eleitoral e o futuro governo. "O desempenho dos partidos depende da quantidade de dinheiro que ele arrecada - e que será cobrado depois", afirmou.

 

Entre os temas que mais despertaram interesse no pequeno grupo de estudantes reunido na redação do Estado estavam o da progressão continuada, adotada nas escolas públicas de São Paulo, e o pedágio. "A ideia da progressão continuada é boa. Mas não da forma como está sendo executada em São Paulo", comentou Rodrigo Rossi Mora Brusco, da Mobile. "É absurdo deixar isso acontecer justamente com as pessoas que mais necessitam."

 

Para sua colega de escola Fernanda Gomes, os candidatos poderiam ter falado mais das enormes desigualdades sociais que ainda existem no Estado - e que estão refletidas no sistema educacional. "Tocam pouco nas questões das desigualdades sociais brasileiras, que estão entre as mais brutais do mundo. Imagine o vestibular, imagine quem veio da escola pública, disputando com pessoas como nós, que estamos em escolas particulares: elas não tem acesso a metade do conhecimento que temos. A desigualdade na educação é assustadora."

 

Mercadante foi criticado por se apoiar excessivamente nos feitos do governo federal, comandado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Eles também criticaram o fato de os candidatos fugirem com frequência às perguntas, preferindo falar de temas que dominavam melhor.

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