Eleitores defendem uso do chapéu de Mão Branca na Câmara

Cerca de 200 mensagens eletrônicas, opiniões sobre etiqueta e críticas abertas de parlamentares alimentam a polêmica que se instalou na Câmara por causa do hábito do deputado Edimar Mão Branca (PV-BA) de usar o seu chapéu de vaqueiro no plenário. Enquanto o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), prepara o ato que vai estabelecer o uso padrão terno-gravata para os deputados e, claro, sem complementos na cabeça, os eleitores manifestam apoio ao deputado. Até a tarde desta quinta-feira, Mão Branca, cantor de forró e eleito com 23,4 mil votos, havia recebido 200 e-mails a favor da manutenção do chapéu."Quando eu me candidatei, meus eleitores sabiam que eu usava chapéu", lembra Mão Branca. "Estou usando terno e gravata. Não tem nada aqui dentro (diz levantando o chapéu). Só protegendo um cérebro brasileiro bem intencionado", disse. O deputado e estilista Clodovil Hernandes (PTC-SP) deu seu parecer: "Um homem bem educado não usa chapéu em ambiente coberto", sentenciou. Por outro motivo, alegando o ritual do cargo, o deputado Sílvio Costa (PMN-PE) condenou Mão Branca. "Aqui não é lugar de vaqueiro. É de parlamentar. Existe a liturgia do parlamento. Aqui não cabe esse traje", afirmou Costa.Mão Branca, que assumiu o mandato no lugar de Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), nomeado ministro da Integração Nacional, acha a discussão inútil. "É uma perda de tempo discutir isso no Brasil. Parece uma coisa preconceituosa", afirmou. "Vim até essa Casa para lutar por dias melhores para o meu povo. Estou obedecendo o regimento. Não tem nada que proíbe (o chapéu)", continuou. Ele disse que desde criança na "lida vaqueira" usa o chapéu que funciona como instrumento de trabalho. "Serve para pegar água, para bater no burro...".Depois de discutir na reunião da Mesa o uso do chapéu, Chinaglia considera que o assunto está repercutindo mais do que deve. "Não é um tema que eu creio que deva merecer atenção e ser notícia nacional. Vestimenta dos deputados não é tema de interesse nacional", afirmou. Ele adiantou que o ato que deve assinar em breve vai disciplinar a vestimenta dos parlamentares. "Vai ser feito uma atualização para se mostrar que a Casa tem um regimento e que a ele todos estão subordinados", adiantou.

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