JF DIÓRIO /ESTADÃO
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Eleitores ainda não sabem o nº dos candidatos

Pesquisa Ibope mostra que 89% dos entrevistados não souberam responder quando o pesquisador pergunta o número que precisarão digitar na urna para votar para prefeito

José Roberto de Toledo e Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

24 Agosto 2016 | 05h00

Enquanto a propaganda não começa na TV, as pesquisas eleitorais captam mais o efeito memória do eleitor do que sua real intenção de voto. Apenas 32% dos eleitores paulistanos têm o nome de um candidato a prefeito na ponta da língua. Na chamada pergunta espontânea, sem que o pesquisador do Ibope apresente ao eleitor os nomes de quem está concorrendo, a maioria não tem candidato: 45% não citam ninguém, e 23% declaram voto branco ou nulo.

Isso acontece porque muitos eleitores nem sequer tomaram conhecimento da eleição municipal. Segundo o Ibope, 50% do eleitorado tem pouco ou nenhum interesse pela eleição ou não soube responder. Quanto maior o nível de escolaridade, menor o desinteresse.

A Olimpíada do Rio e a campanha eleitoral eletrônica mais curta tendem a acentuar esse efeito – o que pode provocar oscilações mais bruscas das intenções neste ano.

Um dos reflexos desse desinteresse é que, quando o pesquisador pergunta ao entrevistado o número que ele precisará digitar na urna para votar no seu candidato preferido, nada menos do que 89% dos eleitores não souberam responder. Dos eleitores de Russomanno, por exemplo, ninguém disse “10”. A exceção, e mesmo assim parcial, é Haddad: 47% dos seus eleitores responderam corretamente “13”. Dos de Doria, só 14% disseram que seu número é “45”.

Para Marcia Cavallari, CEO do Ibope Inteligência, o aprendizado do número se dá quando começa a campanha televisiva. “Para alguns candidatos isso vai ser mais importante do que para outros. Quem mudou de partido vai ter de ensinar o novo número ao seu eleitor, ou ele pode acabar votando no adversário.”

O problema pode atingir as ex-prefeitas Luiza Erundina (ex-PT e ex-PSB) e, principalmente, Marta Suplicy (ex-PT). No caso da candidata do PSOL, só 8% responderam que seu número é “50”. Outros 3% erraram, e 89% não souberam dizer. Para a candidata do PMDB, o problema tem potencial de ser mais grave. Três vezes mais eleitores (9%) responderam “13”, o número de seu antigo partido, do os que disseram corretamente (3%) o “15” do PMDB.

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