Eleitorado malufista encolhe a cada eleição

Ex-prefeito chegou a ter 37% dos votos em disputas municipais anteriores, mas segundo últimas pesquisas só conta agora com 10% das preferências

Moacir Assunção, O Estadao de S.Paulo

06 de setembro de 2008 | 00h00

Dono de um capital político que se aproxima, de acordo com as últimas pesquisas, de 10% dos eleitores da cidade de São Paulo - algo em torno de 820 mil pessoas -, o candidato do PP à prefeitura, Paulo Maluf, tem visto seu eleitorado minguar a cada disputa. O ex-prefeito já chegou a ter 48,8% dos votos no primeiro turno da eleição de 1992 - no segundo turno, derrotou o petista Eduardo Suplicy por cerca de 780 mil votos.Maluf, que anteontem participou de sabatina no Estado, deixou claro que não pretende desistir de se candidatar. "Espero ganhar esta eleição, mas vocês vão me ver, por bem ou por mal, em todas as demais eleições", disse.Na disputa municipal de 2000, ele superou o tucano Geraldo Alckmin e chegou a ir ao segundo turno, quando foi derrotado por Marta Suplicy (PT). No primeiro turno, ficou com 15,6% do eleitorado. Em 2004, acabou na terceira colocação, com 11,1% dos votos, quando o atual governador José Serra (PSDB) derrotou Marta no segundo turno."Maluf é uma personalidade em declínio. O que pesou contra ele foi o fator Celso Pitta e aquela famosa frase ?nunca mais votem em mim se Pitta não for um bom prefeito?, além de seu histórico pessoal, com a prisão pela Polícia Federal em 2005", avalia o cientista político Humberto Dantas, do Centro de Pesquisa e Comunicação (Cepac). Na visão de Dantas, o espaço tradicional da chamada direita política em São Paulo, centrada nos fenômenos do janismo e do malufismo, tem sido ocupado por novas lideranças. "O atual prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, têm disputado esse espólio, com vantagem para o primeiro."CARTASApesar de enfraquecido, o candidato do PP não pode ser considerado uma carta fora do baralho, na visão do também cientista político Marco Antonio Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). "Ele teve um decréscimo considerável dos votos, mas mantém um capital político que pode ser decisivo em um segundo turno polarizado", pondera.Na opinião de Teixeira, o tradicional eleitorado malufista tem se diluído. "A classe média malufista está com Kassab, assim como os vereadores mais antigos. Os malufistas das regiões mais periféricas têm se tornado eleitores da Marta."

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