'Eleições, tô fora', diz Lula após liberar ministros em campanha

Com exceção de Dilma Rousseff e de José Múcio, todos outros ministros foram liberados para apoiar candidatos

Lisandra Paraguassu, de O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2008 | 14h40

Um dia após liberar a participação de ministros em campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira, 23, que não comenta as eleições municipais. "Eleições, tô fora", disse o presidente, ao chegar ao Palácio do Itamaraty, para o almoço oferecido pelo governo brasileiro ao primeiro-ministro de Trinidad e Tobago, Patrick Manning.  Veja Também: Lula proíbe Dilma de ir a palanques Saiba quem são os candidatos com a ficha suja  Calendário eleitoral das eleições deste ano   Lula afirmou que não pretende participar das campanhas eleitorais deste ano apoiando este ou aquele candidato, porque, se fizer isso, só terá prejuízo. "Eu vou evitar ao máximo possível participar das eleições municipais. Vou tentar fazer as minhas viagens, trabalhar dentro do Brasil e fora, e vou deixar as eleições mais para os partidos e (para) quem é candidato." O presidente procurou justificar essa declaração de neutralidade com a alegação de que, participando das eleições, só tem a perder: "Afinal de contas, eu tenho muitos aliados disputando eleições. Não vou me meter nisso, porque o resultado é sempre assim: os que ganham acham que os méritos foram deles, e os que perdem depositam nas minhas costas a derrota, porque não fui, ou porque fui apoiar o outro. Então, prefiro ficar distante."  Dilma Rousseff, da Casa Civil, e José Múcio, das Relações Institucionais foram liberados para fazer campanha apenas em suas bases eleitorais: a ministra, no Rio Grande do Sul e Múcio, em Pernambuco. Todos os outros ministros foram liberados por Lula para viajar nos fins de semana e apoiar os candidatos que bem entenderem, desde que tomando cuidado para não provocar fraturas na base governista.  Na terça-feira, Lula proibiu Dilma de subir em palanques de candidatos no primeiro turno das eleições municipais. A ministra reclamou, alegando ter vários convites para participar de campanhas, mas não convenceu.  "Melhor não", disse Lula. Na avaliação do Planalto, Dilma precisa se preservar por ser o primeiro alvo da oposição para atingir o governo. A estratégia para blindar a mãe do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) tem ingrediente adicional: Dilma é, até agora, a favorita do presidente para concorrer à sua própria sucessão, em 2010. Apesar de garantir que ficaria fora dos palanques na primeira rodada das eleições, para não melindrar a enxurrada de postulantes da base aliada, Lula aparecerá na campanha de dois ex-ministros petistas de seu governo: Marta Suplicy, em São Paulo, e Luiz Marinho, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.  (Com Vera Rosa e Lisandra Paraguassú, de O Estado de S.Paulo, e Leonencio Nossa, ad Agência Estado) Texto ampliado às 17h14

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