Eleições de 2002 vão marcar fim do caciquismo

As eleições do próximo ano vão marcar, de forma mais nítida, o fim do caciquismo na política nacional. Esta é a avaliação do diretor-presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, e da jornalista Fátima Pacheco Jordão especialista em pesquisas de opinião pública. O mesmo eleitor que rejeita os métodos de ACM e Jader deve resistir a velhos chefes políticos, como Paulo Maluf (PPB), Orestes Quércia (PMDB)Miguel Arraes (PSB) ou Leonel Brizola (PDT)."Por idade, por rejeição do eleitorado e até pelarenovação dentro dos próprios partidos, eles dificilmente terãosucesso", afirma Montenegro. Também para Fátima, o ciclo doscaciques regionais está no fim. "Vai ser uma eleição orientadapela renovação, com uma agenda mais social, o que exigiria umagrande reciclagem desses velhos políticos."De acordo com ela, não há hoje mais espaço nem tempopara escamoteamentos ou acordos por baixo do pano. O papel daimprensa e da sociedade civil, por meio das OrganizaçõesNão-Governamentais (Ongs), observa Fátima, aprofundaram muito arelação da população com as instâncias de poder. "Um deputadodo baixo clero, por exemplo, não fica mais à mercê do cacique",exemplifica a pesquisadora. "Ele tem até site na Internet erecebe pressão direta dos seus eleitores."Com esse novo sistema de comunicação, o processopolítico ganhou uma velocidade que os velhos caciques nãoconseguem dominar. "Se dizia que o tempo da política era outro,mas esse tempo hoje ficou rápido demais e políticos como Jader eACM não estão preparados para isso", anota ela.Com isso, acrescenta Montenegro, também diminuíram osespaços para qualquer acordo por fora da opinião pública. "Apizza vai sair do cardápio", aposta ele. "Não dá mais parafazer acordos, porque o julgamento da opinião pública hoje éfeito na mesma velocidade dos fatos."

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