Eleições antecipam costuras pelo Planalto

Encerrado o 2.º turno das eleições municipais, a presidente Dilma Rousseff (PT), o vice Michel Temer (PMDB), o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e o senador mineiro Aécio Neves (PSDB) descem dos palanques e se movimentam para tirar o melhor proveito dos resultados das urnas. No horizonte de cada um, por menos que admitam, está a sucessão presidencial de 2014.

LUCIANA NUNES LEAL E JOÃO DOMINGOS, Agência Estado

29 de outubro de 2012 | 09h41

Dilma quer apagar ressentimentos provocados pelas disputas entre partidos da base, diante da hipótese concreta de uma candidatura de Eduardo Campos à Presidência, que poderia dividir os aliados. A presidente também está preocupada em desatar alguns nós do Congresso, para cumprir promessas como a redução nas contas de luz. A medida provisória que trata do tema recebeu 400 emendas de parlamentares e virou uma dor de cabeça para o Ministério de Minas e Energia.

Antecipada a discussão sobre seus possíveis concorrentes em 2014, Dilma tenta desfazer a imagem de inoperância em áreas cruciais, em especial a infraestrutura, prato cheio para os presidenciáveis. Com os prazos apertados para a Copa e para a Olimpíada, o governo corre para lançar o novo modelo de concessão de portos e aeroportos, empurrado para depois do 2.º turno.

Apesar da redução do número de prefeituras do PSDB entre 2008 e 2012, o tucano Aécio Neves se fortaleceu internamente com a derrota de José Serra e aprofundou a aliança com Eduardo Campos. Aécio endureceu o discurso contra Dilma e o governo, o que deve se manter depois da eleição. O senador tucano pega carona no discurso do "novo", que funcionou na capital paulista com Fernando Haddad, e comemora que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tenha falado ontem em "renovação" do PSDB. O mesmo discurso tem sido feito pelo prefeito eleito de Manaus, o ex-senador tucano Artur Virgílio.

Para os peemedebistas, passadas as eleições, dois assuntos são prioridade: a garantia do PMDB nas presidências da Câmara e do Senado e ministérios mais relevantes no governo Dilma.

Os dirigentes dos partidos de oposição afirmaram que jamais na história do País houve uma carga tão forte do governo a favor dos candidatos do PT como no 2.º turno da eleição. A estratégia do governo, de acordo com os oposicionistas, foi esmagar qualquer oponente. Primeiro, os da oposição conhecida, que envolve PSDB, DEM e PPS. Em seguida, partidos da base que disputam com os petistas, a exemplo do PSB.

Nestas circunstâncias, segundo os partidos de oposição, o Palácio do Planalto e o PT adotaram uma "tática terrorista", ao "bombardear" o eleitor com a informação de que sem o alinhamento automático com o governo federal nenhum novo prefeito conseguiria governar. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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