ELEIÇÃO-Pleitos municipais testam projeto do novo PFL

O Democratas disputará as eleiçõesmunicipais de outubro sabendo que o sucesso do seu projeto derenovação e a permanência da sigla no grupo dos maiorespartidos políticos brasileiros dependerão dos resultadosobtidos nas urnas. O sucesso da estratégia, no entanto, parecedistante. Presidente do Democratas, o deputado Rodrigo Maia (RJ)admite que o número de prefeituras administradas pelo partidodeve diminuir. Atualmente, o DEM controla as duas principaiscidades do país, São Paulo e Rio de Janeiro, além de outras790. Segundo estimativa do parlamentar, a sigla deve vencer emno máximo 500 municípios nas eleições deste ano. Em 2004, o DEM, que ainda se chamava PFL, também obtevedesempenho negativo nas eleições municipais. Ganhou em 789cidades, ante 1.025 em 2000, segundo dados do Tribubal SuperiorEleitoral (TSE). Maia tenta, entretanto, minimizar a pressão que pesa sobreos candidatos e a nova Executiva da sigla. "Ninguém constrói um partido em dois anos", pondera,referindo-se ao período em que o partido mudou de nome erejuvenesceu a direção. Se os candidatos não vencerem, aposta a cúpula do DEM, pelomenos eles se credenciarão para as próximas eleições. Assim, o partido terá mais condições de aumentar asbancadas da Câmara e do Senado. A expansão da representação dopartido no Legislativo é essencial para que o DEM tenha direitoa um fundo partidário maior e a mais tempo de propagandagratuita no rádio e na televisão, dois instrumentos necessáriospara levar a mensagem do partido ao maior número possível deeleitores. "Ainda que não tenhamos sucesso eleitoral, estaremos com otime em campo. Time que não entra em campo não tem torcida",destaca o vice-presidente para Assuntos Institucionais do DEM,deputado André de Paula (PE). "O próprio presidente Luiz InácioLula da Silva perdeu três eleições antes de ganhar duas." O DEM passa por um processo de reformulação. No anopassado, trocou de nome e jovens políticos assumiram o comandodo dia-a-dia do partido em substituição a antigos caciques,como o ex-presidente da legenda e ex-senador Jorge Bornhausen(SC). A sigla terá candidato próprio em 12 capitais. Em Salvador,o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto, de 29 anos, tenta seeleger prefeito e manter a influência política do grupo que eracomandado pelo seu avô, ex-senador Antonio Carlos Magalhães,morto no ano passado. Em Recife, o candidato a prefeito é José Mendonça BezerraFilho, de 42 anos. Ambos ocupam a liderança das pesquisas deintenções de votos. Valéria Pires Franco (Belém), Vilmar Ruiz (Palmas), MoroniTorgan (Fortaleza) e Mendonça Prado (Aracaju) também disputamas primeiras colocações das pesquisas. O mesmo não ocorre emoutras capitais. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, é o terceirocolocado nas pesquisas, bem atrás de Marta Suplicy (PT) eGeraldo Alckmin (PSDB). No Rio de Janeiro, a deputada Solange Amaral divide oquarto lugar em empate técnico com Fernando Gabeira (PV), ChicoAlencar (PSOL), Alessandro Molon (PT) e Paulo Ramos (PDT). Àfrente encontram-se Marcelo Crivella (PRB), Jandira Feghali(PCdoB) e Eduardo Paes (PMDB). Para Maia, Kassab e Solange tendem a melhorar suas marcascom o início da propaganda eleitoral na televisão em 19 agosto.Kassab, ainda relativamente desconhecido do paulistano, temmais tempo de propaganda gratuita do que os concorrentes. "Aavaliação do governo ainda não colou na do candidato",argumenta o presidente do DEM. Já a candidata do Rio reforçará a campanha de rua,complementa. A situação crítica é verificada em Belo Horizonte, onde,segundo o instituto Datafolha, Gustavo Valadares só conquistou4 por cento das intenções de votos. Em Porto Alegre, acandidatura de Onyx Lorenzoni também não decolou até agora.

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