Eleição no Rio testa cacife de Cabral

Governador mobiliza toda sua energia a fim de eleger Paes e garantir capital político para influir no cenário de 2010

Alexandre Rodrigues, O Estadao de S.Paulo

26 de outubro de 2008 | 00h00

O segundo turno das eleições do Rio foi marcado pela tensão no Palácio Guanabara. O governador Sérgio Cabral (PMDB) sabe que o resultado do pleito de hoje na capital será decisivo para definir seu cacife político em 2010 para a reeleição ou para influenciar nas alianças nacionais do PMDB. Depois de ter visto derrotas de seus candidatos nos seis maiores colégios eleitorais do Rio, a capital é a última esperança de Cabral. Ele mobiliza toda sua energia para eleger Eduardo Paes (PMDB), o que seria o primeiro sucesso eleitoral de um governador fluminense na capital nas últimas duas décadas.A manutenção da indefinição da disputa entre Paes e Fernando Gabeira (PV) domina as preocupações de Cabral, que tem se mostrado nervoso a aliados. O grupo do governador confia em que, apesar de os dois candidatos estarem tecnicamente empatados, o peemedebista tem mais chance de conquistar os indecisos. Para isso, apostaram na máquina partidária do PMDB e dos aliados.Segundo um dos envolvidos na campanha de Paes, a disparada de Gabeira na reta final do primeiro turno, que se sustentou até a semana passada, chegou ao fim. A esperança dos peemedebistas é que a reorganização da campanha de Paes num estilo mais propositivo e com a exploração da inexperiência administrativa do adversário criou um vetor de crescimento que se sustentaria até hoje. Mas já sabem que, se houver vitória, será apertada. Ao contrário do primeiro turno, o governador só apareceu no último programa de TV do afilhado e não foi visto com ele nas ruas na segunda etapa. Aliados do PMDB informaram à coordenação de campanha que em algumas regiões de classe média, como a Barra da Tijuca, os panfletos com Cabral e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva eram rejeitados.No entanto, Cabral manteve o controle dos bastidores da campanha. Paes admite que ele se envolveu ainda mais no segundo turno. É dele a concepção da comunicação da campanha, executada pelo marqueteiro Renato Pereira, que acompanha Cabral há anos. O governador repete em torno de Paes seu grupo da eleição de 2006. O secretário de Governo, Wilson Carvalho, cuida da logística; o chefe da Casa Civil, Régis Fichtner, dá apoio jurídico, e o vice-governador Luiz Fernando Pezão articula partidos aliados e lideranças comunitárias. No time de conselheiros estão nomes como o do senador Francisco Dornelles (PP).Apesar dos acertos, a ansiedade de Cabral o leva a deslizes. Um exemplo é a nota divulgada por Paes logo após admitir já ter fumado maconha no debate do jornal Folha de S. Paulo no início do segundo turno. O texto, que cita frases pró-legalização ditas por Gabeira no passado, foi redigido pelo próprio governador num arroubo que não pôde ser contido por seus conselheiros, contou um aliado. Na intenção de ajudar Paes, Cabral concentrou nas duas últimas semanas a inauguração de cinco Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) em regiões carentes da capital. Os postos são o carro-chefe das propostas de Paes, municiado por pesquisas que mostram a saúde como preocupação principal de mais de 70% dos cariocas. Ao identificar a intenção eleitoral que o governador nega, a Justiça Eleitoral chegou a impedir a inauguração de uma delas, mas Cabral não desistiu e conseguiu abri-la sob efeito de uma liminar.

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