Eleição não será contagiada pelo medo, avalia Palocci

Comentário foi feito durante seminário do BID, onde Palocci observou que América Latina precisa se integrar fisicamente

Ricardo Gozzi, enviado especial da Agência Estado

21 de março de 2010 | 11h41

A sucessão de Lula será a primeira eleição presidencial recente no Brasil na qual os candidatos não recorrerão ao medo na tentativa de chegar ao Palácio do Planalto, avaliou na noite de sábado, em Cancún, o deputado federal e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT-SP). O comentário sobre a sucessão foi feito por Palocci a jornalistas ao término de um seminário promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para discutir os efeitos sobre a América Latina e o Caribe da mais recente crise financeira internacional.

 

"Acredito que esta será a primeira eleição (para presidente) na qual as pessoas irão às urnas sem medo de votar e sem que os partidos façam uso do medo para incentivar determinados comportamentos por parte do eleitor", opinou o deputado. Palocci apontou dois motivos para justificar sua crença. "Primeiro, o Brasil atingiu uma maturidade grande do ponto de vista macroeconômico; segundo, o fato de o eleitor estar demonstrando uma maturidade democrática muito grande inibe essas tentativas." E prosseguiu: "Eu prefiro olhar pelo lado positivo. O Brasil está bem e o medo não parece ser um fator importante nesse processo eleitoral."

 

Palocci afirmou ainda acreditar que o "debate será muito elevado, pois os personagens dados até o momento são pessoas muito competentes, capacitadas e experientes".

 

América Latina

 

Antes, no seminário, Palocci observou que o Brasil e seus vizinhos latino-americanos ainda têm pela frente o desafio da integração regional. "Nós ainda não conseguimos promover uma integração física que permita uma atividade comercial mais intensa."

 

Palocci disse que há quem questione os benefícios de avanços econômicos do Brasil para os outros países região e afirmou que "nunca na história houve impacto negativo do crescimento brasileiro sobre seus vizinhos". Segundo ele, o que ocorre é justamente o contrário. "O crescimento econômico do Brasil gera euforia nos vizinhos. Por quê? Porque a Bolívia nos fornece gás, a Argentina nos vende dezenas de produtos, o Uruguai vende produtos agrícolas para o Brasil. Sendo assim, um processo de desenvolvimento integrado só irá potencializar o futuro da América Latina."

 

Palocci manifestou preocupação com o fato de os países mais ricos estarem se recuperando da crise "de maneira muito lenta, sem plano de voo", e observou que quem está segurando a situação são os países emergentes.

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