Eleição na Câmara enfraquecerá Lula, diz cientista político

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sairá enfraquecido da eleição desta quinta-feira para a presidência da Câmara, quem quer se seja o candidato vitorioso, na avaliação do cientista político e historiador Marco Antonio Villa, professor da Universidade de São Carlos. "O governo já começa desgastado de um lado, pela omissão na disputa, e por outro lado, por ter incentivado a candidatura de Aldo Rebelo (PC do B-SP) e tê-lo deixado numa situação difícil quando já não dava mais tempo de desistir?, afirma. Nos três cenários, ele acha que o presidente Lula sai enfraquecido. Com a vitória do candidato do PT, Arlindo Chinaglia (SP), o cenário é mais favorável, mas ainda mostra a divisão da base governamental. Se Aldo vencer, Villa vê o fortalecimento de um bloco que pretende ter uma certa independência em relação ao PT e pode até lançar candidato próprio a presidente e 2010. Derrota Mas o pior cenário seria a vitória, menos provável pelas declarações de apoio até agora, do candidato da oposição, Gustavo Fruet (PSDB-PR). "Se isso acontecer, será uma derrota muito superior à do Severino Cavalcanti (que se aproveitou da divisão no governo e venceu a Presidência da Câmara em 2005, com votos entre o chamado baixo clero), porque o Fruet é um deputado sério que lideraria uma Câmara mais independente do governo", avalia. Se houver segundo turno entre os dois candidatos do governo, ele diz que Aldo tem mais chances de conseguir votos entre os deputados da oposição. Villa acha que o governo começou mal o segundo mandato, ao deixar a formação do ministério para depois da posse e tirar férias logo no início do novo mandato. Ele argumenta que, ao deixar a formação do ministério para depois, o presidente deixou de aproveitar o cacife político que tinha logo após a vitória nas urnas, e acabou subordinando o governo à disputa partidária no Congresso. Articulação "Este episódio revela que o presidente Lula é o pior articulador do seu próprio governo", opina Villa. "Ele não tem articulador político e nem sabe fazer articulação política". "O governo precisa de um articulador, até para curar as feridas da batalha pela Presidência da Câmara", diz ele. "Um articulador que seja suficientemente hábil para estabelecer pontes sólidas com o parlamento, com os governadores, e que seja um anteparo, preservando a figura do presidente da República". Os dois ministros mais poderosos do governo, o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, e da Casa Civil, Dilma Roussef, não se prestam ao papel, na avaliação de Villa. "O Tarso Genro, nunca se sabe se o que ele fala é a opinião dele ou a voz do governo, e a Dilma está mais voltada para o trabalho interno e talvez nem conheça todos os líderes dos partidos", afirma.

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