Eleição na Câmara e no Senado abre corrida presidencial de 2010

Disputa fortalece o PMDB, que pode ganhar as presidências das duas Casas e se tornar peça-chave na sucessão

Christiane Samarco, Eugênia Lopes e Luciana Nunes Leal, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

02 de fevereiro de 2009 | 00h00

A corrida presidencial de 2010 começa hoje para valer, com a eleição dos novos presidentes da Câmara e do Senado, e quem larga na frente, com a força de grande cortejado com o qual ninguém quer se indispor, é o PMDB. Justamente o PMDB do senador José Sarney (AP), que disputa a presidência do Congresso com o petista Tião Viana (AC). Qualquer que seja o resultado da briga entre aliados na sucessão do Senado, quem vai administrar o estrago na base governista a partir de hoje é o Palácio do Planalto. Por isto mesmo, mais do que com a eleição, o governo preocupa-se com o day after da disputa. Acompanhe a cobertura on line das eleições no Senado e na CâmaraEm meio à velha briga entre o PMDB da Câmara e o PMDB do Senado, o PSDB do governador tucano de São Paulo, José Serra, ficou com Michel Temer (SP), presidente nacional do PMDB e favorito na sucessão da Câmara. Mas, em vez de apoiar o candidato do PMDB no Senado, o PSDB optou pelo PT e deu viabilidade à candidatura de Viana, que começou a semana passada com o rótulo de derrotado. Hoje, no entanto, o cenário é de pequena vantagem para Sarney, adversário de Serra.Amigo e aliado de Sarney e correligionário de Viana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avisou aos dois que se manteria neutro e que não haveria compensação do governo para o eventual derrotado. Na prática, porém, Lula queixou-se do lançamento de Sarney na última hora, responsabilizou o novo líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), pela briga na base e pediu aos três governadores do PT nordestino (SE, PI e BA) que ajudassem Viana.A preferência discreta do Planalto foi sinalizada ontem pelo ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, que desembarcou na Câmara logo cedo, para participar da reunião de seu partido - o PTB - e, de quebra, dar uma ajuda ao candidato do PMDB a presidente da Casa, Michel Temer (SP)."A situação mais delicada é a do Senado. Mas a questão não é de quem o governo gosta mais, ou menos. Você tem candidaturas postas há mais tempo, que engloba um número maior de partidos", explicou o ministro, referindo-se a Viana.Além de ter se lançado na disputa há quatro meses, o petista tem o apoio de um leque de sete partidos, do PSOL ao PSDB, enquanto a aliança de Sarney envolve apenas três legendas - DEM, PTB, PP, sem contar o PMDB. Apesar da certeza de ambos os lados de que a briga vai produzir mágoas, qualquer que seja o vencedor, os grupos de Sarney e Tião dedicaram-se nas últimas horas a tranquilizar o governo. Tião não só prevê um tempo curto de "ressaca eleitoral", como destaca que "todos temos responsabilidade enorme com o Brasil". E na briga entre Sarney e Tião Viana, ambos parceiros do governo Lula, o comando da campanha do candidato do PMDB Michel Temer não escondia ontem a satisfação com o fato de a tensão estar concentrada no Senado, onde é grande a incerteza com relação ao desempenho do ex-presidente. Os deputados do PMDB sequer cogitavam a possibilidade de a disputa na Câmara chegar ao segundo turno.

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