Eleição na Assembleia reforça controle tucano

Governista Fernando Capez é eleito presidente da Casa de forma quase unânime; acordo entre partidos mantém PT em cargo da Mesa Diretora

RICARDO CHAPOLA, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2015 | 02h01

A Assembleia Legislativa de São Paulo inicia hoje sua nova legislatura mantendo a tradição de blindar o governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), de eventuais desgastes políticos provocados pela oposição na Casa.

O deputado estadual Fernando Capez (PSDB) foi eleito ontem como novo presidente da Assembleia com votos de praticamente toda a bancada oposicionista - o tucano teve apoio de todos os parlamentares do PT. Capez derrotou Carlos Giannazi (PSOL) pelo placar de 92 votos a 2. A Casa tem 94 deputados da nova legislatura, também empossada ontem.

Em entrevista ao Estado (leia abaixo), Capez disse não haver "fatos de extrema gravidade" que deem sobrevida às CPIs propostas pela oposição. O novo presidente da Assembleia citou como exemplo a crise hídrica. Oposicionistas já iniciaram um movimento de coleta de assinaturas para protocolar um pedido de instauração da CPI da Sabesp.

"Aqui em São Paulo teve uma seca de 83 anos e querem instalar a CPI da Sabesp. Não há apelo popular", afirmou Capez. "A existência de um governador honesto e austero tira um pouco da legitimidade da oposição. A CPI acaba sendo vista mais como tentativa de debate eleitoral, para desestabilizar o governo, do que de apuração."

No discurso de posse, Capez fez elogios a Alckmin. "Geraldo Alckmin se dedica com esmero em sua rotineira e extenuante tarefa de zelar por cada centavo do erário", disse. O governador não compareceu à cerimônia de posse da nova legislatura. Alckmin foi representado pelo vice, Márcio França (PSB). Estiveram presentes também na solenidade a dupla paulista de senadores Aloysio Nunes (PSDB) e José Serra (PSDB).

Os únicos dois parlamentares que não votaram em Capez foram os deputados Carlos Giannazi e Raul Marcelo - também do PSOL. Os demais partidos oposicionistas fizeram parte de um acordo fechado com o tucano pela sua eleição. O PT, por exemplo, costuma ser contemplado na 1.ª Secretaria da Mesa Diretora como parte de um acerto partidário para que o PSDB eleja o presidente. Neste ano, não foi diferente. O deputado Enio Tatto (PT) foi eleito com 92 votos e continuará na função.

Ainda no discurso, Capez pregou a "união" para fazer o Legislativo paulista voltar a ter protagonismo político. "Recebo de vocês a missão de comandar a maior Assembleia do País e reconduzi-la à sua posição de destaque. Essa missão, no entanto, não compete somente a mim, mas à Mesa Diretora. Se não houver união de todos nós em torno desse objetivo, ele não será alcançado", disse o tucano.

Protesto. Antes do início da solenidade, cerca de 80 funcionários da Fundação do Direito Administrativo (Fundap) e do Centro de Estudos e Pesquisas de Administração Municipal (Cepam) realizaram ontem um protesto silencioso contra o governador Alckmin em frente à Assembleia, onde a nova legislatura tomou posse.

Com cartazes nas mãos, servidores criticaram o projeto de lei enviado por Alckmin à Assembleia que prevê a extinção das duas fundações. A medida faz parte de um pacote de contingenciamento de gastos anunciado pelo tucano para o ano de 2015. "O governador enviou para a Assembleia sem discutir com a gente. Queremos uma audiência pública para discutir", disse a presidente da associação de funcionários da Fundap, Paula Picciafuoco.

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