Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Eleição municipal motiva ‘jogo duplo’ dos peemedebistas

Mesmo com vice-presidente na articulação política, sigla intensifica discurso de dissociação da gestão Dilma e quer fortalecer prefeituras

Erich Decat - Brasília, O Estado de S. Paulo

12 Abril 2015 | 03h00

Com receio de perder espaço nas eleições municipais em razão do desgaste pelo qual passa o governo da presidente Dilma Rousseff, o PMDB vai colocar em curso uma estratégia de fortalecimento dos mais de mil prefeitos do partido a partir da utilização de recursos federais ao mesmo tempo em que intensificará um discurso de dissociação da sua imagem à da gestão da petista.

Para cada uma dessas missões estarão deslocadas as três principais alas que hoje comandam a legenda: a do vice-presidente Michel Temer que nesta semana assumiu a função de articulador político do governo a partir da incorporação da Secretaria de Relações Institucionais à Vice-Presidência; a do presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL); e a do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Líderes do partido no Congresso avaliam que a desaprovação recorde de Dilma aliada ao sentimento antipetista nas ruas e a uma economia que patina podem enfraquecer a sigla naquela que é sua principal base eleitoral: os municípios do País. São 1.022 prefeitos, ou 18%, que o coloca como o partido com maior capilaridade do País. Na sequência vêm PSDB, com 694 (12%), PT com 639 (11%) e PSD com 498 (9%).


Nomeações e emendas. Apesar de em um primeiro momento setores do PMDB terem reagido com desconfiança à entrada de Temer na articulação política do governo, uma vez que isso poderia ampliar a vinculação do partido ao governo, há um entendimento entre integrantes da cúpula de que o poder que lhe foi dado de nomear os cargos de segundo e terceiro escalões e de influenciar na liberação das emendas parlamentares será determinante para abastecer os prefeitos com recursos e obras com vistas à disputa municipal.

Além disso, sua posição também garante uma maior presença do PMDB em áreas estratégicas, responsáveis pela condução de projetos estruturantes do Executivo. A ideia é que a apresentação de alguns resultados desses projetos possam ser utilizados como bandeiras pelos candidatos do partido nas eleições municipais de 2016.

"O PMDB certamente está com os olhos voltados para as eleições municipais de 2016, área em que o partido reina de forma absoluta há muitos anos. E a sua maior participação no governo lhe dará mais franquia eleitoral. Temos todas as condições de, a partir das ações do governo federal, na parte conduzida pelo PMDB, de nos habilitar diante da sociedade para poder aspirar um crescimento expressivo na nossa liderança já consagrada nas eleições municipais”, disse ao Estado o ministro Eliseu Padilha (Aviação Civil), integrante do grupo de Temer.

A estratégia de aproveitar o pé no governo para tirar proveitos eleitorais, porém, não impede que seja intensificado, na prática, o discurso de dissociação da imagem do PT da do governo. Papel desempenhado por Cunha e pelo presidente do Senado, o também peemedebista Renan Calheiros (AL). Ambos prometem manter uma conduta de “independência” em relação ao Palácio do Planalto e desatrelar a imagem dos dois ao do petismo. Há um entendimento nesses dois grupos de que a legenda não pode pagar a conta política nas próximas eleições do desgaste criado com os ajustes econômicos, defendidos pelo Executivo.

Isso porque as mudanças sugeridas pelo governo em alguns benefícios atingem diretamente milhares de potenciais eleitores.

Diante disso, a alternativa encontrada por Renan e Cunha é adotar um discurso voltado para pautas que estejam “em sintonia com a sociedade” e não necessariamente as de interesse do Executivo. Seguindo à risca a estratégia, de um lado, Cunha tem colocado em votação projetos como o que estabelece a maioridade penal e a terceirização. Do outro lado, Renan sempre que pode defende publicamente a diminuição de cargos e ministérios.

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