Eleição municipal acelera mudanças nos partidos

Movimentação só não é maior porque parlamentares esperam validação das mudanças pelo STF; governista, PR deve ganhar 2 deputados e 1 senador

Denise Madueño, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2022 | 00h00

A busca de apoio da máquina partidária na disputa pelas prefeituras disparou o troca-troca de legendas entre os parlamentares que pretendem se candidatar a algum cargo nas eleições do ano que vem. Os deputados e senadores que ficaram sem espaço em seus partidos na disputa municipal estão mudando para partidos que lhes garantam a candidatura.Além disso, a eleição municipal tem servido como moeda de troca na votação da emenda constitucional que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). O voto do deputado favorável à contribuição pode se transformar em apoio do governo à sua candidatura em 2008.A movimentação partidária só não é mais intensa porque os parlamentares ainda estão à espera de que o Supremo Tribunal Federal (STF) decida até 3 de outubro se as trocas serão válidas - na interpretação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os deputados e os senadores que mudem de partido têm de devolver seus mandatos às legendas pelas quais se elegeram. A posição do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, favorável ao troca-troca, já deu um alívio aos parlamentares. O prazo de filiação para quem quiser disputar as eleições do ano que vem termina em 4 de outubro.O PR, um dos partidos da base de apoio do governo, vai engordar seus quadros com pelo menos dois deputados e um senador. Na terça-feira, o deputado Clodovil Hernandes (PTC), o mais votado em São Paulo em 2006, com 493 mil votos, se filiará ao partido, em uma solenidade que terá missa e coquetel. O deputado argumenta que sua intenção, com a mudança, é estar ligado a um partido que lhe dê apoio e estrutura para exercer o mandato. "É importante a presença do Clodovil no partido por causa da votação que ele teve. Em 2010, ele pode viabilizar a eleição de mais quatro deputados em São Paulo para o PR", avalia o líder do partido na Câmara, Luciano Castro (RR).DEM PERDEMas é do oposicionista DEM que o PR vai tirar os outros dois parlamentares. Um é o deputado Robson Rodovalho (DEM-DF). Ele já votou com o governo no primeiro turno da proposta que prorroga a CPMF, contrariando a determinação de seu partido, que estuda a possibilidade de expulsá-lo. O outro é o senador César Borges (DEM-BA), que deve se filiar nos próximos dias no PR.O PT, pelo contrário, terá baixas. O deputado Paulo Rubem Santiago (PE) decidirá até segunda-feira se vai para o PSB ou para o PDT. A gota d?água para se desfiliar foi o fato de não ter conseguido apoio para disputar a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, na região metropolitana do Recife. O PT preferiu investir na candidatura do deputado estadual André Campos (PT), irmão do deputado Carlos Wilson (PT-PE), ex-presidente da Infraero.A insatisfação de Paulo Rubem com o PT vem se acumulando e se agravou este ano. É que o partido o indicou para ser relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e depois o destituiu para atender ao PP, sendo que o deputado já estava organizando seu parecer.O líder do PSOL na Câmara, Chico Alencar (RJ), que já foi petista, tentou levar o colega para seu partido, mas não teve sucesso. "O Paulo Rubem estava com um pé no PSOL", lamentou. "Mas ele preferiu se manter na base. Para mim, trocou seis por meia dúzia."A saída do senador Flávio Arns (PR) também é dada como certa no PT. O senador quer disputar a prefeitura de Curitiba e deve filiar-se ao PSC.Outra senadora que deve mudar de partido de olho na eleição é Patrícia Saboya (PSB-CE), ex-mulher do deputado e ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE). Ela deve ir para o PDT.TUCANOSO PSDB mantém conversas com dois deputados que podem engrossar sua bancada na Câmara: Silvinho Peccioli (DEM-SP) e Lindomar Garçon (PV-RO). Da bancada tucana eleita em outubro passado, o partido já perdeu 7 deputados para partidos governistas. Desde as eleições, 42 deputados já fizeram 51 trocas de partido.

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