ELEIÇÃO MOVIMENTA CASA DE APOSTAS

Empresa sueca lucra com reviravolta eleitoral

CÉLIA FROUFE / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2014 | 02h03

A reviravolta no cenário político brasileiro gerou um interesse surpreendente entre apostadores de um site com sede em Londres, o Unibet. A morte de Eduardo Campos tornou a corrida eleitoral brasileira a mais procurada no setor de política pelos "jogadores" da casa de apostas.

Operadores e economistas do mercado financeiro comumente apostam em palpites pagos a empresas especializadas em esporte ou política. O jogo, quando entra na seara da disputa eleitoral, já é visto como um termômetro sobre o rumo de determinada eleição.

A primeira vez que a empresa, de origem sueca, entrou na área política foi quando apresentou aos "jogadores" o possível cenário para o desdobramento das eleições na Suécia. Este ano, o Brasil foi apresentado aos possíveis interessados. "Essa é a primeira vez que colocamos alguma coisa sobre as eleições brasileiras. Como estou sempre no Brasil, me perguntaram por que não, e decidimos fazer", explicou o responsável pela área de futebol da Unibet, Christian Eider. No site, também são encontradas apostas para eleições em outros países, como Reino Unido e Estados Unidos.

No caso brasileiro, o site pergunta ao apostador quem será o próximo presidente do Brasil: "Dilma Rousseff ou outro candidato?". No abertura das apostas, 60% dos participantes - a casa não diz qual é o total de volume nessa "brincadeira" - acreditavam que Dilma seria reeleita. Logo após o acidente aéreo, que matou o ex-governador Eduardo Campos (PSB), a tendência se inverteu e 60% dos participantes passaram a acreditar que "outro candidato" venceria a disputa no Brasil. "Ficamos bem surpresos com o interesse pelo tema da aposta e, principalmente, pela inversão após o acidente", comentou Eider.

De acordo com ele, a disputa brasileira tornou-se uma das apostas mais populares do site e a que atraiu o maior volume de recursos na área política. De olho nesse filão, o executivo disse que já pensa em outros temas relacionados ao Brasil. Há brasileiros que participam do jogo, mas como no País esse tipo de operação é proibida, são cidadãos que vivem em outras partes do mundo, em especial na Europa.

Manual. A cada US$ 1 apostado, há um x de retorno para quem acertar resultado. A aposta menos apontada como a mais provável é sempre a que gera maior retorno. Anteontem à tarde, por exemplo, quem acreditava na vitória de Dilma, a minoria, teria retorno de US$ 2,10 por dólar apostado no caso de a candidata ser reeleita. Já se "outro candidato qualquer" vencer a disputa, que é o que a maioria espera nesse momento, o retorno seria de US$ 1,67 por dólar. Ontem cedo, o retorno havia mudado para US$ 2,75, no caso de Dilma vencer, e US$ 1,40 para outro candidato.

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