ELEIÇÃO-Líderes prometem cautela no uso da TV em Porto Alegre

A cautela deve ser a estratégiados três candidatos que lideram as pesquisas de intenção devoto para a prefeitura de Porto Alegre na primeira fase dapropaganda eleitoral gratuita. A opção será mostrar propostas erealizações em vez de partir para o confronto aberto. A equipe do prefeito José Fogaça (PMDB), candidato àreeleição e favorito na preferência do eleitorado, pretende darà campanha um caráter de prestação de contas. "Vamos fazer uma campanha de situação, mas (a eleição) nãoé um plebiscito sobre a atual gestão, é um momento de discutirprojeto de futuro", disse o publicitário Fábio Bernardi àReuters. Bernardi foi o responsável pela campanha que levou Fogaça àvitória na eleição de 2004 e pretende repetir o resultadousando como slogan "A mudança não pode parar". Neste ano, ele éo coordenador de marketing e responsável por uma equipe de 40pessoas. A linha política da campanha é discutida e definida por umconselho geral que reúne dirigentes dos três partidos queintegram a coligação (PMDB, PDT e PTB). Segundo Bernardi, apropaganda eleitoral na televisão apostará na exibição de cenasexternas para dar "visibilidade às obras (realizadas pela atualadministração municipal)" e na veiculação de depoimentos deapoio de personalidades da política gaúcha, como senadores eex-governadores. O publicitário aposta nas atividadespromovidas pelos 150 candidatos a vereador da coligação comotrunfo na disputa pelo voto. "É um exército na rua e será fundamental para dar volume àcampanha", disse Bernardi. O publicitário descarta a hipótese de uma polarização entredois candidatos, pois além do favoritismo de Fogaça, todos osadversários são fortes politicamente e teriam boas condições nadisputa eleitoral. "A campanha não será fácil, pois Fogaça seráo alvo de todos", avalia Bernardi. DIÁLOGO DA OPOSIÇÃO Na tentativa de voltar ao governo municipal após a quebrade um ciclo de quatro gestões sucessivas (1988-2004), o PTpretende apresentar-se na TV como capaz de dialogar com osadversários. "Vamos apresentar Maria do Rosário como um contraponto (aFogaça), como uma prefeita que estará presente. Entretanto,vamos dialogar com Fogaça, não vamos nos digladiar", disseRodrigo Oliveira, cientista político e coordenador decomunicação, à Reuters. Com o slogan "Porto de novo na frente", a campanha deveapresentar a candidata e centrar a propaganda em seu históricode defesa de "compromissos sociais", veiculando a idéia de queo "futuro não pode esperar". Nesta eleição, o partido foipreterido pelos tradicionais aliados, que optaram por engrossara candidatura da deputada federal, Manuela dÁvila (PCdoB), e aFrente Popular ficou restrita ao PRB, PTC e PSL. Até agora, Rosário e Manuela travam uma disputa particulare aparecem empatadas em segundo lugar nas pesquisas de intençãode voto. PARADIGMA MANUELA A necessidade de renovação e de uma nova atitude frente aosproblemas da cidade é o norte adotado na campanha de ManueladÁvila (PCdoB/PPS/PSB). "Manuela representa uma quebra de paradigma na políticagaúcha. Conseguiu juntar uma aliança importante para o futuro",disse Carlos Andrade, responsável pela área de criação dacampanha, à Reuters. A partir do slogan "Eu quero é mais", a candidata seráapresentada como uma opção para superar o que seria um "falsodilema" da política gaúcha da escolha de candidatos de apenasdois campos opostos. Para Andrade, em Porto Alegre, apolarização PT x PMDB significaria "voltar atrás", no caso derepetir uma administração petista, ou "ficar parado", em casode reeleição de Fogaça. Para o publicitário, Manuela é uma candidata "muitoespecial", que à primeira vista poderia parecer "apenas umrostinho bonito, mas tem firmeza de posição". "A principal peçade campanha será a própria candidata", disse Andrade. As políticas para incentivo ao esporte devem receberdestaque na campanha e aproveitar a Olimpíada. Apoiada pelo seucolega de partido, o ministro Orlando Silva (Esportes), Manuelajá vem defendendo os benefícios estruturais decorrentes dosinvestimentos para a realização de jogos da Copa do Mundo emPorto Alegre. Manuela é presidente da Frente Parlamentar dosEsportes e defende a tese de que esporte e educação podem sersaídas para a juventude. Em Porto Alegre, a maior fatia do horário de propagandaeleitoral é do prefeito José Fogaça (PMDB), com 6 minutos e 33segundos, seguido por Onyx Lorenzoni (DEM/PP), com 5 minutos e44 segundos; Manuela d'Ávila (PCdoB/PPS/PSB), com 4 minutos e47 segundos; Maria do Rosário (PT), com 4 minutos e 38segundos; Nelson Marchezan Jr (PSDB), com 3 minutos e 49segundos; Luciana Genro (PSOL/PV), com 1 minuto e 52 segundos;Paulo Rogowski (PHS), com 1 minuto e 19 segundos, e Vera Guasso(PSTU) com 1 minuto e 15 segundos. (Edição de Mair Pena Neto)

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