Eleição hoje em SP vai definir novo procurador-geral

São quatro candidatos, que prometem reequipar instituição, combater corrupção e brigar por verbas

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

15 de março de 2008 | 00h00

Quatro procuradores disputam hoje o voto de 1.821 promotores para tentar chegar ao topo do Ministério Público de São Paulo e assumir o cargo de procurador-geral de Justiça. Eles prometem reequipar a instituição e um combate intenso à corrupção e à desonestidade na administração pública. Ofensiva contra o crime organizado também está na pauta. Todos consideram insuficiente o orçamento, que é de R$ 1,18 bilhão para 2008.Prestígio e poder são características que revestem a função. Ao Ministério Público, a Constituição impõe o papel de guardião da democracia e fiscal da lei. Ao procurador-geral, a missão de investigar deputados, secretários de Estado, magistrados e até o governador em atos de improbidade.Fernando Grella Vieira, José Benedito Tarifa, José Oswaldo Molineiro e Paulo Afonso Garrido de Paula são os quatro procuradores que querem dirigir o Ministério Público nos próximos dois anos. Três deles vão fazer parte da lista que será levada ao Palácio dos Bandeirantes. É prerrogativa do governador nomear o chefe do Ministério Público. Será o primeiro procurador-geral da era José Serra (PSDB).Profissionais com mais de 20 anos de atuação, os candidatos já passaram por setores diversos do Ministério Público. Um deles vai suceder a Rodrigo César Rebello Pinho, que comanda a instituição há 4 anos, dois mandatos consecutivos. Pinho foi eleito pela primeira vez em 2004, e reeleito em 2006. Coube ao então governador Geraldo Alckmin (PSDB) nomeá-lo nas duas oportunidades.O Ministério Público paulista é o maior e o mais numeroso do País. São 201 procuradores de Justiça em atividade e mais 1.620 promotores.Todos os candidatos já integraram o Conselho Superior do Ministério Público, colegiado de cúpula. Três são alinhados a Rodrigo Pinho, mas o preferido dele é Molineiro, que foi seu chefe de gabinete. Paulo Afonso e Tarifa também ocuparam cargos diretivos na gestão Pinho. Pela oposição concorre Fernando Grella, mas, como os outros, mantém bom relacionamento com o chefe da instituição.A campanha foi tranqüila, sem incidentes e acusações mútuas que marcaram o pleito desde o início da década de 90. Os quatro procuradores percorreram quase o Estado inteiro. A disputa é acirrada, voltada para pendências internas. Os planos guardam semelhança. Eles prometem empenho na reestruturação das promotorias e valorização da categoria. A informatização é o primeiro passo.Todos defendem mudança crucial no modelo de escolha do procurador-geral. Afirmam que os promotores também devem ter condições legais de concorrer ao cargo, aspiração de quase 80% da classe. Pelo sistema atual, apenas os procuradores de Justiça, que são 201, podem disputar o cargo de procurador-geral.

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