Eleição em São Paulo é marcada por rachas e embates

Antes mesmo do início oficial da campanha eleitoral que vai definir a sucessão municipal no maior colégio eleitoral do País, os embates e os rachas estão se tornando marcas freqüentes na disputa política em São Paulo. Tradicionais aliados no plano nacional e em pleitos passados, o PSDB e o DEM protagonizam uma disputa que vem deixando seqüelas no ninho tucano. Com a entrada do ex-governador paulista Geraldo Alckmin na disputa, um acordo informal que havia sido costurado nos bastidores, e que previa a união de tucanos e democratas em torno do nome do prefeito Gilberto Kassab (DEM), acabou sendo atropelado. O acordo, atribuído nos bastidores ao governador José Serra (PSDB), que postula a sucessão ao Palácio do Planalto, era que Alckmin disputasse o governo do Estado em 2010 e abrisse mão da disputa nessas eleições. Mas o ex-governador preferiu garantir seu nome nessa disputa. A convenção estadual para oficializar a candidatura do Democratas está marcada para o dia 14 deste mês e a do PSDB foi marcada para o dia 22. Na semana que separa as duas convenções, a ala tucana que defende o acordo com Kassab promete intensificar suas ações e bater chapa com Alckmin na convenção, na tentativa de manter a aliança com o DEM. A direção municipal dos tucanos na Capital, contudo, já avisou que a candidatura Alckmin não tem volta.Outra surpresa ocorrida nesse período de pré-campanha e fechamento de acordos foi a adesão do PMDB, uma das legendas mais disputadas deste pleito por causa do tempo na propaganda eleitoral gratuita, com 4min30s, ao DEM de Gilberto Kassab. O acordo deu ao atual prefeito o maior tempo no rádio e na televisão, quase 10 minutos, pois sua aliança conta ainda com o PV e o PR. Os tucanos, que conseguiram o apoio do PTB e somam 4m30s, alfinetam dizendo que não adianta ter o maior tempo na propaganda eleitoral se não tiver conteúdo. A disputa entre democratas e tucanos abriu espaço para o crescimento da candidatura da ex-ministra Marta Suplicy (PT). Espaço para MartaAnalistas de pesquisas concordam que a disputa entre DEM e PSDB, com candidaturas distintas neste pleito, abriu espaço para o crescimento do PT de Marta Suplicy. Isso porque democratas e tucanos disputam praticamente a mesma fatia do eleitorado. Nas atuais pesquisas de intenção de voto, a petista aparece em primeiro lugar, mas empatada tecnicamente com o tucano Alckmin. Kassab ainda não conseguiu passar da faixa dos 15% das intenções, contra os 30% de Marta e 28% de Alckmin. Apesar da liderança, a ex-ministra ainda não conseguiu agregar apoio à sua candidatura. Os esforços dos petistas são para atrair o PDT, que poderá dar a Marta um tempo no rádio e na TV de 5m30s. Além desses três candidatos mais competitivos, a eleição municipal de São Paulo deve contar ainda com nomes conhecidos da população, como o deputado federal Paulo Maluf (PP). Os partidos pequenos também devem lançar candidaturas próprias, como o chamado bloquinho, que tem à frente o ex-presidente da Câmara Federal Aldo Rebelo (PC do B) e integrantes como a deputada Luiza Erundina (PSB), que chegou a ser sondada para ser vice na chapa de Marta Suplicy. A vereadora Soninha, que deixou o PT para se filiar ao PPS, também deve lançar seu nome para a sucessão ao Palácio das Indústrias.Para o cientista político e professor da PUC e FGV de São Paulo, Claudio Couto, as eleições na capital não têm um elemento novo porque os principais candidatos com chance de se viabilizarem - o prefeito Gilberto Kassab, a ex-ministra Marta Suplicy e o ex-governador Geraldo Alckmin - já são conhecidos do eleitorado. De acordo com Couto, ?a novidade? ficou por conta da briga interna no PSDB, devido ao imbróglio com o DEM. Após o pleito, o professor avalia que o racha pode deixar seqüelas e provocar mudanças no ninho tucano.Na avaliação do cientista político e pesquisador da PUC e FGV de São Paulo, Marco Antonio Carvalho Teixeira, a disputa no maior colégio eleitoral do País não deve registrar grandes surpresas. ?Apesar das brigas e rachas, o cenário é estável. Marta tem capital suficiente para chegar ao segundo turno, o ex-governador Alckmin também é muito competitivo e Kassab, apesar de não ter alcançado ainda um patamar que lhe garanta ir ao segundo turno, pode crescer com o horário eleitoral no rádio e na TV.?

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.