Eleição é uma 'guerra' e vale tudo para vencer, diz consultor

Presidente da associação dos consultores políticos lembra caso de Collor contra Lula e de Marta contra Kassab

Andréia Sadi e Gisele Silva, do estadao.com.br ,

07 de novembro de 2008 | 10h47

Para que um candidato vença uma eleição, vale tudo. É o que diz Carlos Manhanelli, presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos (Abcop), que também dá aulas de marketing político na Universidade de Salamanca, na Espanha, e foi responsável por 13 campanhas eleitorais este ano. Tudo não exclui, segundo ele, ataques pessoais, jogadas sujas e folhetos apócrifos com acusações: "O que está em jogo é o poder. A política, como dizia Maquiavel, não é moral nem imoral. É amoral". E continuou: "Não dá para fazer política ética e moral no mundo democrático. Isso não existe".   Veja também: Pesquisa aponta custo de US$ 53 mi para se eleger um prefeito Para analistas, candidatos não são 'produtos' em prateleiras Estética do 'bonitinho, mas ordinário' cede lugar a propostas Geografia do voto  Eu prometo  Especial traz o mapa eleitoral com as vitórias em todas as capitais  Mapa traz desempenho de Marta e Kassab  Mapa traz desempenho de Gabeira e Paes   Recado das urnas é que eleitor votou na diversidade, diz cientista político da USP    Manhanelli compara as campanhas eleitorais a uma guerra: "Para se ganhar o poder, não tem limites. É como uma guerra. Existe limite para ganhar uma guerra? Parte para o tudo ou nada, como o Collor (Fernando Collor de Mello) colocando a Miriam Cordeiro no programa de TV e a Marta (Suplicy, do PT) insinuando que (Gilberto) Kassab era homossexual", afirmou.   No primeiro caso, o consultor se referiu à campanha de Collor à Presidência da República, em 1989, que usou Miriam Cordeiro, ex-namorada de Luiz Inácio Lula da Silva, dizendo que o petista teria lhe oferecido dinheiro para que ela fizesse um aborto. Ela estava grávida de Lurian. O segundo caso é a inserção da campanha de Marta na TV questionando se Kassab era casado ou tinha filhos. "Quando você está num patamar que está derrapando há muito tempo e a coisa não anda, você vai para o desespero. No caso da Lurian deu certo. No caso do Kassab, não", afirmou.   A campanha de Marta também foi criticada pelo professor da USP e consultor político Gaudêncio Torquato. Segundo ele, há uma mudança no eleitorado e as campanhas deste ano foram marcadas por propostas. "Na hora 'H' remeteu para a questão pessoal e discriminatória. E causou raiva e indignação a setores médios", disse. Para o professor da ESPM, Emannuel Publio Dias, a declaração de Marta dizendo não ter visto a inserção não convence: "Como não viu o spot? Impossível, quem trabalha em campanha sabe disso. Não vai para o ar sem que o candidato veja".   Perde e ganha   Para os consultores políticos, não é possível dividir os marqueteiros entre vencedores e perdedores. "O trabalho do marqueteiro é fazer o candidato sair maior do que entrou. Quem entra na campanha majoritária está nessa pensando na outra. Você não vende um candidato, você vende idéias. O importante é ele não sair menor. Eu vi nessa eleição candidato entrar maior do que saiu. Ou que não ganhou e saiu maior, como o Gabeira (Fernando Gabeira, que perdeu por pouco a eleição no Rio, mas teve uma ascensção meteórica na campanha)", diz Nelson Biondi, que já trabalhou nas campanhas de José Serra (hoje governador de SP), Paulo Maluf (hoje deputado federal) e Beto Richa (reeleito em Curitiba).   O cientista político da Escola de Sociologia e Política José Paulo Martins Júnior concorda e também cita o exemplo do Rio. "Nem sempre a campanha que é vencedora é a que elege. Não dá para falar que Gabeira foi derrotado. Ele conseguiu cacife excepcional no Rio para tentar outros cargos e talvez até a prefeitura daqui a quatro anos. Foi um fenômeno, uma derrota que mostra uma certa vitória." Já com a candidata derrotada em São Paulo Marta Suplicy (PT) aconteceu o contrário, diz ele: "(Ela) perdeu inclusive em territórios sempre considerados petista".

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