Eleição e sindicalista na empresa emperram reforma sindical

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu hoje do ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, as propostas do Fórum Nacional do Trabalho para a reforma sindical. Em 10 meses de debate, empresários e trabalhadores concordaram em acabar com o imposto sindical e o poder normativo da justiça do trabalho, aumentar o espaço para a negociação e estabelecer critérios de representatividade para as entidades. Berzoini disse que o governo encaminhará as propostas ao Congresso este mês, mas admitiu ela não será aprovada este ano. "A possibilidade é remota", disse, por causa das eleições municipais. "Vamos avançar no que for possível".Antes de encaminhar o pacote de propostas ao Congresso o governo ainda tentará obter o consenso para a representação sindical nos locais de trabalho, com a qual não concordam os empregadores. "Não há uma posição fechada quanto a isso", disse o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), deputado Armando Monteiro. Já os sindicalistas, como o presidente da CUT, Luiz Marinho e o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, argumentaram que a reforma ficará manca sem essa parte. "Faltará um pilar importante", disseram.Eles defenderam o avanço obtido até o momento, principalmente no que diz respeito ao fortalecimento das entidades, que passarão de fato a serem representativas e a mudança no critério de sustentação financeira dos sindicatos que, com o fim das taxas compulsórias, terão que mostrar serviço para sobreviver.Contrariando a posição dos empresários, que sempre defenderam a mudança das leis trabalhistas antes de mexer na estrutura sindical, Paulo Pereira da Silva disse que só aceita discutir alteração na legislação depois que a reforma sindical for aprovada. "Não vamos fugir da reforma trabalhista, mas só aceitamos discutir a questão depois que a reforma sindical for aprovada", afirmou.

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