Eleição do PT reestrutura governo do MS

O secretário de Meio Ambiente, Cultura e Esportes do Mato Grosso do Sul, Egon Krakhecke, e mais de cem servidores da ala considerada radical do PT estadual começaram a deixar o governo hoje, depois que o grupo mais à esquerda foi derrotado nas eleições internas do PT-MS. Krakhecke confirmou que o governador José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, aceitou a demissão dele, por meio do secretário de Governo, Benhur Ferreira. No fim da tarde, líderes do MST, CUT-Rural e da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri) disseram que a decisão da ala esquerda do partido poderá radicalizar as ações dos sem-terra no Estado.Segundo o coordenador do MST Edilson Serrate, a administração de Krakhecke tornou possível um entrosamento dos sem-terra e governos do Estado e federal, a ponto de facilitar todas as negociações entre as partes. "Nós temos um canal estabelecido através do Idaterra (Instituto Estadual de Terras e Colonização), que vai fechar, com a saída do presidente do instituto, Valteci Ribeiro Castro Júnior", disse Serrate.Para o coordenador da CUT-Rural, Paulo César Farias, a saída do presidente do Idaterra pode provocar aumento do número de invasões de fazendas em Mato Grosso do Sul. Farias explicou que as dificuldades podem surgir a partir da mudança na política de reforma agrária e para atender os assentados e pequenos produtores rurais. O dirigente alerta que a mudança poderá causar um "choque" do governo com os movimentos organizados. Segundo Farias, isso causará muitas dificuldade até o governo conseguir reconstituir a relação com os movimentos.Krakhecke confirmou hoje que saiu do governo e trabalha em casa. "Não voltarei mais ao governo, mas continuarei no PT. Mesmo antes dessa minha decisão, o governador disse que queria meu lugar", afirmou. O presidente da Agência Pública de Comunicação (APC), Ronaldo Franco, informou, contudo, que a situação dos demais integrantes do campo da esquerda da legenda ainda será discutida. Para ele, é natural que a esquerda da sigla ponha os cargos à disposição, após a derrota na eleição para o diretório regional da agremiação, ocorrida no domingo.Para o secretário de Infra-Estrutura, Vander Loubet, eleito presidente regional do partido, "quem quiser continuar no governo terá de respeitar a decisão de um PT amplo, e não restrito". Loubet quer aglutinar todas as forças para vencer as eleições de 2002. Krakhecke acredita que pode ser diferente. "Na eleição para presidente regional do partido, tive 30% dos votos dos filiados do PT. Esse percentual é de militantes que fizeram cursos, são conscientes. Quando aos 70% dos votos conquistados por Vander, são de poucos militantes, e não querem dizer a maioria. São 22 mil filiados no Mato Grosso do Sul, e apenas pouco menos de 9 mil foram às urnas domingo passado."Loubet, que dirigiu a legenda em Campo Grande, notou o comparecimento às urnas de mais de 30% dos filiados na capital, quando, tradicionalmente, a margem ficava em 20% e só participavam do processo delegados.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.