Eleição dita discurso de Dilma na ONU

Presidente deverá falar de avanço das políticas sociais em sua gestão e destacar criação de empregos na abertura da Assembleia Geral

RAFAEL MORAES MOURA, ENVIADO ESPECIAL / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2014 | 02h02

Na reta final do 1.º turno das eleições, a presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) embarca hoje para Nova York, onde pretende usar a 69.ª Assembleia Geral da ONU como palanque em nível internacional.

Orientada por seu comitê de campanha, Dilma aproveitará a passagem pelos Estados Unidos para fazer um balanço do seu governo e levantar bandeiras sociais e ambientais, reafirmando o compromisso do Brasil com a inclusão social e o combate à fome, o investimento em fontes limpas de energia e a defesa da floresta amazônica.

Na abertura da assembleia geral, na quarta-feira, Dilma deverá fazer um discurso centrado no avanço das políticas sociais durante a sua gestão e destacará que, apesar da crise econômica mundial, o Brasil gerou emprego, manteve a renda de seus trabalhadores e não cortou direitos - na contramão das políticas austeras adotadas pelos países desenvolvidos.

Público interno. O recente relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês), que apontou que o Brasil saiu do Mapa da Fome, também deverá ser destacado na fala da presidente. De acordo com a FAO, o Brasil conseguiu reduzir em 75%, entre 2001 e 2012, a pobreza extrema - situação em que se vive com menos de US$ 1 ao dia.

A ideia dos auxiliares de Dilma é usar a tribuna da ONU para reforçar a imagem de uma chefe de Estado atenta e preocupada com as questões globais, mas que também tem muito o que mostrar sobre o que fez "dentro de casa". Um discurso perante a comunidade internacional, mas com tom de balanço de mandato focado no público interno - mais especificamente nos eleitores que vão às urnas no início de outubro.

Em 2013, o incisivo discurso da presidente contra a espionagem do governo norte-americano ganhou ampla repercussão dentro e fora do Brasil. Na ocasião, Dilma manifestou "indignação" e "repúdio" ao episódio, "um caso grave de violação dos direitos humanos e das liberdades civis".

No último dia 8, logo depois de participar da série Estadão Entrevistas, Dilma foi questionada pela reportagem se pretendia retomar o assunto da espionagem no discurso deste ano. "Não é hoje tão relevante. O que vai ser mais relevante são outros aspectos", disse.

Questionada sobre a participação na Cúpula do Clima, outro evento que ocorrerá em Nova York, respondeu: "Isso vai ser relevante. Eu vou". Apesar da disposição de comparecer à reunião, ontem a presidente disse que poderá não chegar a tempo, porque vai aos Estados Unidos para "um bate e volta".

Como fez nos últimos anos, a presidente defenderá na ONU a reforma do Conselho de Segurança, a criação de um Estado Palestino e a manutenção de um permanente canal de negociação para a resolução de conflitos no Oriente Médio.

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