Eleição de petista na Câmara abre crise interna no PSDB

Decisivo na eleição do petista Arlindo Chinaglia (SP) para a presidência da Câmara, o PSDB entrou em crise logo depois da proclamação do resultado do segundo turno. "Me preocupa muito a bancada ter começado dessa maneira. Foi ruim liberar os votos e foi um erro fazer um acordo com o PT pela primeira vice-presidência", disse o deputado Paulo Renato (SP). "Infelizmente, criou-se uma aparente unidade em torno da candidatura de Gustavo Fruet (PR), mas nossas divergências ficaram claras e não foram discutidas profundamente", continuou Paulo Renato. Fruet, que conseguiu 98 votos no primeiro turno da eleição - 34 a mais do que a dos 64 deputados do PSDB - disse que o momento para o partido é de muita dificuldade. Por isso, para ele, o melhor que o PSDB faz neste momento é "se recolher e lamber as feridas". Ao saber da decisão da eleição da Câmara, e que os tucanos haviam sido fundamentais para a vitória de Chinaglia, o presidente do partido, senador Tasso Jereissati (CE), disse que não há mais o que fazer. "O melhor é ficar quieto. Nem dá para saber direito o que aconteceu, porque a votação foi secreta", afirmou o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE). Aliados dos governadores tucanos Aécio Neves, de Minas, e José Serra, de São Paulo, se empenharam em tentar dissipar a impressão de que ambos trabalharam em favor de Chinaglia no segundo turno. O deputado Custódio Mattos (PSDB-MG) assumiu o mandato apenas para votar na eleição, pois reassume um posto de secretário no governo de Aécio Neves em Minas nesta sexta-feira. Ele disse que Aécio não se envolveu na disputa, mas defendeu quem optou por votar em Chinaglia. "Temos de respeitar a proporcionalidade. Senão, as minorias passam a subverter o rumo das coisas". O deputado Walter Feldman (PSDB-SP) também garantiu que Serra não se envolveu. "Perguntei a ele qual a orientação e ele disse que era para votar no Fruet. E, na disputa para o segundo turno, que a bancada decidisse o que fazer", contou Feldman. A bancada decidiu que cada um votaria em quem quisesse. O deputado José Aníbal (SP), ex-líder do partido, não gostou da decisão do líder do partido, Antonio Carlos Pannunzio (SP), de liberar os integrantes da bancada tucana para votarem como quisessem no segundo turno. "Não entendi o gesto do líder. Ele alegou que se fosse fechada questão em torno do voto, havia um tensionamento na bancada. E optou por liberar o voto. O partido cresce quando tensionado", disse Aníbal. Já o deputado Silvio Torres (SP) afirmou que tudo deu errado. Para ele, da forma como as negociações foram encaminhadas, o PSDB se tornou muito vulnerável. Colaborou Denise Madueño

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.