Eleição argentina testa prestígio de candidato da direita

O sucessor de Mauricio Macri na prefeitura de Buenos Aires será escolhido neste domingo, 26, a quase dois meses da eleição definitiva no município. Analistas e rivais concordam que um dos dois candidatos da primária do Proposta Republicana (PRO), de direita, será o prefeito em 5 de julho, tamanha a aprovação conquistada pelo atual prefeito, basicamente com investimento em transportes. Apesar disso, Macri poderia sair da votação um candidato presidencial menor, o que deu importância extra a essa votação preliminar.

RODRIGO CAVALHEIRO, CORRESPONDENTE, Estadão Conteúdo

26 Abril 2015 | 12h42

Isso ocorre porque o ex-presidente do Boca Juniors, com 64% de aprovação, decidiu apoiar um dos candidatos, Horacio Larreta, seu chefe de gabinete. A rival, Gabriela Michetti, cadeirante que foi vice-prefeita e lidera o PRO no Senado municipal, rejeitou ser sua vice na chapa presidencial e insistiu em disputar a prefeitura contra a vontade do chefe. Larreta tem leve vantagem segundo as pesquisas, mas dentro da margem de erro.

"Macri apostou capital político. O impacto de uma derrota de seu protegido se dará principalmente dentro do PRO e em relação a outras alianças que armou. Se ela ganhar, será difícil tirar a sensação de que o vigor de sua liderança minguou", avalia Andy Tow, cientista político.

Se Larreta ganhar e houver alta participação (o voto é obrigatório e 2,5 milhões estão habilitados no quarto colégio eleitoral do país), Macri sai fortalecido no panorama nacional. Ele tem firmado alianças com grupos de centro e centro-esquerda para se tornar mais conhecido no interior.

As primárias argentinas envolvem todos os partidos simultaneamente e dão uma amostragem da eleição definitiva, considerando-se que os eleitores repitam seus votos. Na municipal, por exemplo, um eleitor kirchnerista ou independente pode votar em Michetti, do PRO, para impor uma derrota a Macri, hoje o principal candidato opositor na eleição nacional. "Essa é uma possibilidade cogitada pelos analistas, mas considero improvável e difícil de medir", avalia Mariel Fornoni, diretora da consultoria Managament & Fit.

As primárias nacionais ocorrerão em agosto. A última pesquisa do instituto Poliarquía coloca Macri com 27,3%, atrás do governador da Província de Buenos Aires, Daniel Scioli, provável candidato kirchnerista, com 33,4%. O terceiro colocado é Sergio Massa, um ex-kirchnerista que chegou a liderar a disputa, com 20,1%. O resultado da votação deste domingo deve ser conhecidos à noite.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.