Eleger Dilma fazia parte do programa de governo, diz Lula em cerimônia do PAC II

Presidente admtiu à plateia de prefeitos e governadores que tinha apenas o desejo de fazer a sucessão

Tânia Monteiro e Leonencio Nossa, da Agência Estado,

06 Dezembro 2010 | 15h11

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira, 6, que eleger Dilma Rousseff à Presidência da República fazia parte do seu programa de governo. "Eu tinha um desejo: fazer a sucessão", afirmou Lula a uma plateia de prefeitos e governadores contemplados com o PAC II, reunidos no Palácio do Planalto. "Fazer a sucessão fez parte do meu programa de governo. É que a gente teria continuidade", afirmou Lula, ressaltando a oportunidade que surgiu de eleger uma mulher. "O Brasil vai viver a primeira experiência de sua história de ter uma mulher presidente da República", afirmou. "Depois da princesa Izabel, que assinou a Lei Áurea a Dilma vai ser a primeira mulher a assinar leis no País.

 

No seu discurso, Lula confidenciou que tinha medo de um segundo mandato. "Eu tinha medo. Mas hoje vejo que foi uma benção, porque pudemos fazer muito mais", disse.

 

Em tom bem humorado, Lula disse que a vida de um presidente da República é muito diferente da de um trabalhador de fábrica. "Eu tinha hora para entrar e hora para sair (quando operário). Eu tinha um domingo meu. Eu podia tomar uma cana. Agora eu não tenho hora para entrar e nem hora para sair e não posso tomar uma cana", brincou.

 

Dever cumprido

 

Lula disse que deixa o governo com a sensação do dever cumprido. "Algumas coisas eu tinha de provar. E uma delas era de que era possível governar melhor do que tinha sido governado (por outros).

 

O presidente ressaltou que Dilma Rousseff terá uma equipe que aprendeu a desenvolver projetos de infraestrutura. Ele destacou a coordenadora do PAC, Miriam Belchior, futura ministra do Planejamento. "Ela (Dilma) está muito preparada para conversar com vocês. As coisas podem fluir com mais facilidade daqui para a frente", afirmou.

 

Ele observou que o País hoje abriga os três maiores canteiros de obras de hidrelétricas, citando Santo Antonio e Jirau, em Rondônia e Belo Monte no Pará, com um custo total de R$ 80 bilhões. Lula destacou ainda os projetos da ferrovia Transnordestina, Oeste-Leste e Norte-Sul, nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

 

Pequenez política

 

Lula pediu aos governadores e prefeitos presentes no Palácio do Planalto que trabalhem para o Brasil não voltar atrás e recomendou que as conquistas até agora não sejam diminuídas pela "pequenez política individual de cada um".

 

O presidente afirmou que duvida que mesmo os políticos que desgostem dele não reconheçam que ele foi um presidente que tratou prefeitos e governadores com carinho nesses oito anos, inclusive aqueles que eram amigos de outros presidentes. "A lição que fica é que o jeito republicano de governar uma cidade, um estado ou uma nação só se dá quando você tem a mente aberta e arejada", afirmou. "Ganhar a Presidência da República não te dá o direito de só colocar os teus no governo, de só atender os teus no governo. A grandeza não é atender os teus. A grandeza é atender a todos, sem perguntar quem são, nem para onde vão", disse.

 

"Os eleitos que não gosta foram eleitos tão democraticamente quanto os que você gosta e merecem respeito", ressaltou. "Foi assim que eu agi durante oito anos e é assim que a minha companheira Dilma vai governar", disse Lula, referindo-se à presidente eleita. "Eu espero que vocês não permitam que as conquistas que vocês tiveram sejam diminuídas por pequenez política individual de cada um de nós. As conquistas são muitas, mas elas precisam ser consolidadas porque quanto mais conquistas recebemos, mais conquistas precisamos buscar".

 

Lula reiterou que vai continuar fazendo política, depois do término do mandato, e lembrou que tem eleição para prefeito em 2012. "Certamente eu vou estar andando por aí", disse.

 

Empenho

 

Ele recomendou também aos prefeitos e governadores presentes que se empenhem em fazer projetos, quando desejarem a realização de uma obra. "Não é a choradeira de um prefeito que vai fazer dinheiro. O prefeito precisa aprender a fazer projeto factível", disse Lula, brincando em seguida com o vice-governador do Rio, Luiz Fernando de Souza, o Pezão, presente à cerimônia do PAC II, no Palácio do PLanalto. "Não tem ninguém que saiba me enganar mais do que o Rio de Janeiro. Todo o dia chega um projeto aqui e agora eles não me mostram mais projeto, mas um filme. Daqui a pouco já vão apresentar a obra pronta", disse.

 

"Prefeitos, façam seus projetos. Não percam tempo atrás de emendinha parlamentar. Isso ajuda, mas precisa de coisa mais estruturada. E só venham a Brasília quando tiverem o projeto pronto. Projeto é condição sine qua non dessa relação" (com o governo federal).

 

Obras

 

O presidente anunciou durante cerimônia que governo vai fazer um estaleiro em Araçatuba, São Paulo, para construção de barcaças para as hidrovias. Ele lembrou que a hidrovia do Tietê, hoje, só funciona com 20% da sua capacidade e que a Transpetro vai assumir essa obra para ocupar 100% da hidrovia.

 

Nova direção

 

Ao discursar sobre as condições do PAC para o próximo governo, Lula confirmou que sua a administração ficará a cargo do Ministério do Planejamento, para o qual já foi indicada a atual gestora do PAC na Casa Civil, Míriam Belchior. "Essa moça vai para o Planejamento e junto com ela deve levar essas coisas do PAC, que ela conhece como ninguém", disse Lula, ao falar para prefeitos e governadores que serão beneficiados pelo PAC II.

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