''Ele tem sido um ausente no dia-a-dia do governo''

Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP) : deputado

Entrevista com

Guilherme Scarance, O Estadao de S.Paulo

03 de janeiro de 2009 | 00h00

Para o deputado Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP), integrante da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ter obtido avanços no exterior, mas sua ausência repetida comprometeu as negociações políticas. "Ele tem sido um ausente no dia-a-dia do governo", critica o tucano. Como o sr. avalia o aumento do número de viagens internacionais do presidente Lula no início do segundo mandato, em relação ao início do primeiro?O número é bastante grande. Aliás, o presidente Lula é recordista nisso. Ele pode viajar e conseguir resultados positivos, não vou dizer que não. Mas não conseguiu o que proclamou aos quatro ventos, a política do Sul-Sul. Essa ausência comprometeu de alguma maneira sua gestão?Ele tem sido ausente no dia-a-dia do governo. Nos casos em que é preciso uma tomada de decisões na hora, ou ele demora ou acaba nem tomando. Às vezes, nem tem informações precisas do que está ocorrendo. Algumas viagens ficam mais para o turismo, como ao Taj Mahal (na Índia) e a visita a Kadafi, na Líbia. Viajou para lugares desconhecidos, exóticos, visitou governos com os quais simpatiza.O sr. tem algum exemplo em que a ausência do presidente tenha comprometido algo importante?Tem o caso da prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, no fim de 2007. A liderança não levava em consideração a proposta da oposição para a CPMF e usava o argumento de que o presidente estava em viagem ao exterior (era um giro por Argentina, Bolívia e Venezuela).

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