Ele queria era falar com o presidente

Lavrador baiano caminhou 4 dias até Brasília e foi barrado no hall de elevadores do Planalto

O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2021 | 00h00

Ângelo de Jesus, baiano de Pindobaçu, conseguiu passar pela segurança e invadir o Palácio do Planalto, na manhã de ontem. Tentava chegar até um dos elevadores, quando foi barrado. Lavrador, 31 anos de idade, Ângelo gritava, transtornado, que precisava falar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não conseguiu. Contido pelos seguranças do Planalto e por policiais militares, foi levado para o Hospital Regional da Asa Norte, o mais próximo do Palácio do Planalto. Lá, ficou em observação, com o diagnóstico de surto nervoso.Vestido com calça jeans, camiseta e chinelos, o lavrador disse que estava havia quatro dias sem comer. Esse tempo, contou, foi usado na caminhada até Brasília para falar com o presidente. Explicou que era portador de hanseníase, tem quatro filhos e estava sem trabalho."Presidente, socorre eu", gritava, ao tentar resistir à investida dos seguranças. Para os policiais, que tentavam acalmá-lo, dizia que só falava com o presidente. Acabou algemado. "Policial, você tem mãe? Eu não sou bandido", protestava. "Pobre sofre muito."Em seu ato desesperado, sem saber, Ângelo replicou um certo João de Santo Cristo, da música Faroeste Caboclo, da Legião Urbana. E como o personagem de Renato Russo também não conseguiu o que queria, quando veio a Brasília: "Ele queria era falar com o presidente pra ajudar toda essa gente que só faz sofrer."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.