''''Ele pôde ajudar o amigo''''

"A acusação contra Mares Guia é um absurdo", declarou ontem o criminalista Arnaldo Malheiros Filho, defensor do ministro demissionário Walfrido Mares Guia. "Como é possível atribuir desvio de dinheiro público a quem não ocupava cargo na administração nem recebeu benefício algum?", questionou. "A acusação não se sustenta mesmo."Mares Guia foi denunciado por peculato e lavagem de dinheiro. "Peculato se ele não tinha cargo público na época?", repudiou Malheiros. "Não era dele a campanha ao governo de Minas, não era ele o candidato."O advogado destacou que o extenso relatório da Polícia Federal não incrimina Mares Guia, citado em 10 páginas do documento. "Em todo o capítulo relacionado ao desvio de dinheiro público não há citação ao nome do ministro, nem uma única vez", afirmou. "A acusação contra ele só pode decorrer de presunção."Malheiros disse que Mares guia participou da campanha de Eduardo Azeredo para o governo de Minas, em 1998, mas "o apoio que emprestou foi apenas político, em nenhum momento foi coordenador de finanças da campanha e não participou da captação nem da destinação dos recursos". Para o advogado, Mares Guia está sendo estigmatizado por "pertencer a duas minorias, a dos homens leais e ricos". "Ele pôde ajudar seu amigo Azeredo porque tinha condições financeiras de fazê-lo e porque tinha sentimento de lealdade. Pessoas leais e ricas são minorias no Brasil e acabam atraindo sobre si a antipatia."

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