''''Ele morre de inveja de Fidel''''

Segundo líder tucano, Lula adoraria não ter oposição

Rosa Costa, O Estadao de S.Paulo

01 de março de 2008 | 00h00

As declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra o Judiciário e o Legislativo receberam dura reação no Congresso. Para o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), o comportamento de Lula tem explicação. "É que ele morre de inveja do Fidel Castro e do Hugo Chávez e adoraria não ter oposição para fiscalizá-lo, mas tem de aturar o fato de haver uma oposição vigilante."Os tucanos divulgaram nota ontem sobre o episódio, No texto, citam o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, como o alvo de "agressões" de Lula. "A agressão ao ministro é uma agressão à Suprema Corte do País", diz a nota.O líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), afirmou que Lula "é o primeiro a se meter nos outros Poderes". "É ele quem inviabiliza o Legislativo, entupindo a pauta de votações de medidas provisórias." Para o líder, antes de fazer campanha "dizendo o que não deve", o presidente deveria se lembrar do ditado popular de que "em casa de enforcado, não se fala em corda".As declarações de Lula também não escaparam de censura do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN). "Isso que ele criticou é a última crítica que ele poderia fazer, poderia ter feito outras críticas mais legítimas", afirmou Garibaldi. "Às vezes se faz uma crítica e se esquece de que, fazendo a crítica, ele está na verdade se esquecendo que também cometeu aquele pecado." E ressaltou que o Congresso tem o direito de recorrer à Justiça quando se sentir atingido.O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) também condenou a conduta do presidente. "Nos últimos tempos, ele tem extrapolado todos os limites", afirmou. "Além de dizer coisas gravíssimas, que não ficam só na área do destempero, está usando bens públicos, como o avião presidencial, para fazer campanha e usar o palanque para desancar o Congresso e, agora, o Judiciário."Signatário da ação no STF contra o Programa Territórios da Cidadania, o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), disse que Lula precisa se lembrar de que o chefe de Estado tem o direito de fazer muito, "menos o de desrespeitar a lei". Destacou que seu partido apóia o que for feito em favor do povo, "desde que seja legal e não venha a se transformar numa operação eleitoral disfarçada".Já o senador Jefferson Péres (PDT-AM) considerou a declaração do presidente "de uma rara infelicidade". E ressaltou que os termos utilizados "não são adequados para um chefe de Poder se referir aos demais". A assessoria da líder do bloco do governo, senadora Ideli Salvatti (PT-SC), informou que ela passou a tarde em reunião e, por isso, não comentaria as palavras do presidente.

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