''''Ele dizia que comissão era para Renan''''

Segundo empresário, entre 1999 e 2002 Albino controlava distribuição de emendas do senador para prefeituras de Alagoas

O Estadao de S.Paulo

13 Outubro 2007 | 00h00

O empresário do ramo da construção civil Vitor Nazário Mendonça Gomes da Silva, de 50 anos, afirmou em entrevista exclusiva ao Estado que José Albino Gonçalves de Freitas controlou entre 1999 e 2002 a distribuição de recursos de emendas parlamentares do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) entre prefeituras do interior de Alagoas e chegava a cobrar uma comissão de 5% sobre os repasses para as construtoras. Primo da mulher de Albino, Gomes da Silva diz que conhece o ex-assessor de Renan há 30 anos e chegou a emprestar-lhe parte de um escritório, na Avenida Comendador Tércio Wanderley, no bairro da Levada, em Maceió. "Eu tinha um escritório grande e cedi para ele, entre 1999 e 2003, a parte da frente", explicou. Dono da construtora São Brás, com sede em Maceió, o empresário diz ter pago comissão a Albino para realizar uma obra na cidade de Craíbas, mas no fim não conseguiu executá-la. A seguir, os principais trechos da entrevista: O senhor sabe se José Albino de Freitas trabalhava para o senador Renan Calheiros? Nesse período ele era exatamente a pessoa que freqüentava o escritório de Renan Calheiros, em Brasília. No gabinete do senador tinha um birô só dele, para atender os prefeitos ligados a Renan. O senhor foi atendido por ele no gabinete do senador? Com certeza. Na sala dele, mais de uma vez. Todo mundo sabe quem é Albino do gabinete de Renan. Mas o que ele tratava lá? Questões de pequenas obras de emendas parlamentares que Renan apresentava para os ministérios. Albino era quem resolvia isso com os prefeitos. Foi de 1999 até 2002, pelo que me lembro. Albino ocupava seu escritório nesse período? Sim, ele deixou minha sala em 2003. O que funcionava nesse espaço emprestado para Albino? Ele mantinha negócios lá? O senhor lembra de ter ouvido os nomes das empresas KSI Consultoria e Caiçara Construções? Sim, ele montou a KSI. A Caiçara não era dele não, só prestava serviços para ele. A Caiçara vem antes, ela sempre foi de Arnóbio Limeira. O senhor sabe se essas empresas existiam de fato? A Caiçara, pelo que eu sei, existia, pois toda obra que Albino queria ele direcionava para a Caiçara. Apesar de ser do Arnóbio Limeira, era ele quem controlava tudo. Na realidade, ele montou a KSI, que chegou a chamar Albin. Ele recebia gente no escritório? Ele recebia empreiteiros e prefeitos. Depois disso perdi contato, eu deixei pra lá também o escritório. O senhor chegou a disputar alguma dessas obras? Como funcionavam os acordos com Albino? O Albino tinha essas pequenas obras e as "vendia" para pequenas empreiteiras. Só que Albino era muito esperto e vendia para até três empreiteiros. Então você pagava uma comissão para pegar a obra, mas ele negociava com outros também. Mas para quem ele pedia essa comissão? Ele dizia que a comissão era para Renan. Ele disse isso para o senhor? Com certeza, disse que essa comissão que estava recebendo era para passar para Renan. Existia um porcentual para isso? Sim, era de 5%. Ele dizia que ia para o chefe, que era o Renan. O pagamento era mensal ou feito no ato da assinatura do contrato? Quem dava antes perdia a obra, porque ele passava para outro. Eu me dei mal porque paguei antes. De quanto era a obra que o senhor buscou? Era de R$ 100 mil a obra toda, era pequena. Eu dei R$ 4 mil, mais R$ 1 mil. Ele me deu até um papel cobrando esse valor. Mas senti, depois que paguei, que eu tinha perdido, porque estava aberto para vender para outras pessoas. R.B.

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