'Ela não estudou nem aprendeu'

Serra faz coro com Marina na crítica à política econômica do governo Dilma

João Domingos e Eric Decat , O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2013 | 22h34

Brasília - O ex-governador paulista José Serra a ironizou recentes declarações da presidente Dilma Rousseff, que num discurso em Itajubá (MG), no início da semana, a petista sugeriu que os adversários estudassem muito os problemas do País.

"Aparentemente ela e sua equipe não estudaram antes nem aprenderam depois porque hoje conseguiram a seguinte combinação: economia com crescimento lento, inflação elevada para os padrões do mundo, e taxa de juros maiores do mundo. É uma combinação de quem não estudou direito", provocou o tucano, que nesta quinta-feira, 17, esteve em Brasília, onde participou de uma palestra sobre os 25 da Constituição e manteve conversas com aliados no Congresso.

Coro. Serra também criticou a forma como o governo conduz a política econômica. "O governo não anda nada bem nesse tripé", disse o ex-governador. "Metas da inflação, responsabilidade fiscal e política monetária é uma coisa consagrada desde o final dos anos 90, é uma batalha permanente para trabalhar bem com esse tripé. O governo vem trabalhando mal."

Segundo ele, no recente discussão pública entre Dilma e Marina Silva sobre a condução da economia, quem provocou foi a presidente.

"Quem puxou o debate foi Dilma. Porque críticas à inabilidade para aplicar uma política macroeconômica correta têm se multiplicado ao longo do tempo e não é apenas com relação a questão de metas de inflação, responsabilidade fiscal e cambio flexível. O Brasil hoje vive uma situação anômala: a maior taxa de juros do mundo, com a economia crescendo lentamente, investimento público baixo e desequilíbrio de balança de pagamento. É um desequilíbrio fenomenal", disse.

Marina, nova aliada do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), afirmou na semana passada que Dilma havia descuidado do tripé econômico, inaugurado pelo governo Fernando Henrique Cardoso. Já nesta semana a presidente decidiu responder à crítica em uma entrevista: disse que seu governo nunca abandonou esses princípios.

‘Gargalo’. Serra disse ainda que a infraestrutura ainda é o "grande gargalo para o desenvolvimento do Brasil. "O governo não consegue investir. O Brasil é um dos países do mundo que menos investe nessa matéria. Ele anda hoje de mãos dadas com o desequilíbrio externo. O Brasil vai ter um déficit perto de 4% do PIB, são US 75 bilhões", disse o ex-governador tucano, que já concorreu duas vezes à presidência da República. Na primeira delas, em 2002, foi derrotado pelo petista Luiz Inácio Lula da Silva. Na segunda vez, em 2010, foi derrotado, também no segundo turno, pela atual presidente.

Nos últimos meses, Serra alimentou especulações de que poderia mudar de partido - provavelmente ir para o PPS - a fim de disputar as eleições presidenciais, já que Aécio Neves já havia despontado como possível candidato do PSDB. Acabou decidindo ficar no partido que ajudou a fundar.

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