André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Eike tinha prisão decretada desde 13 de janeiro; empresário pode ser considerado foragido

Operação Eficiência é nova fase da lava Jato no Rio; PF apura pagamentos de propina envolvendo Sérgio Cabral e ocultação de mais de US$ 100 milhões no exterior pelo ex-governador

Constança Rezende, Mariana Sallowicz e Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2017 | 10h09

RIO - A ordem de prisão contra o empresário Eike Batista no âmbito da operação eficiência foi decretada em 13 de janeiro pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro. Eike é um dos alvos da operação deflagrada nesta quinta-feira, 26, que apura a ocultação de mais de US$ 100 milhões no exterior pelo ex-governador Sérgio Cabral, detido no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, zona oeste da capital fluminense.

O advogado de Eike, Fernando Martins, acompanha as buscas da Polícia Federal na casa do empresário, que começaram no início da manhã desta quinta. Segundo ele, o ex-bilionário está em viagem ao exterior, mas vai se entregar à polícia. O advogado, no entanto, não precisou o paradeiro de Eike nem a data em que ele se apresentaria à justiça. 

Uma fonte ligada ao empresário disse que Eike deixou o País há dois dias. Como não foi encontrado no endereço informado à justiça, o ex-bilionário pode ser considerado foragido.

A Operação Eficiência é a 2ª fase da Operação Calicute, da Lava Jato, que investiga a organização criminosa liderada por Cabral. A ação inclui nove prisões preventivas, por tempo indeterminado, quatro conduções coercitivas e o cumprimento de buscas e apreensões em 27 endereços no Rio de Janeiro, Niterói, Miguel Pereira e Rio Bonito.

Entre os alvos da prisão preventiva estão Cabral e outros dois réus já presos pela Calicute - os ex-assessores Carlos Miranda e o ex-secretário de governo Wilson Carlos. Também foram ordenadas as prisões de Eike Batista e do advogado Flávio Godinho, vice-presidente do clube Flamengo, investigados por corrupção ativa com o uso de contrato fictício. As demais prisões preventivas se estendem a outros quatro acusados de integrar o esquema do ex-governador: Álvaro Novis, Sérgio de Castro Oliveira, Thiago Aragão e Francisco Assis Neto.

Segundo o Ministério Público Federal no Rio de Janeiro, cerca de R$ 270 milhões já foram repatriados e estão à disposição da Justiça. As conduções coercitivas se destinam à tomada dos depoimentos de Susana Neves e Maurício Cabral - ex-mulher e irmão de Cabral -, de Eduardo Plass, da TAG Bank e gestora de recursos Opus, e de Luiz Arthur Andrade Correia, preso na 34ª fase da Operação Lava Jato, em setembro.

As apreensões ocorrem em endereços residenciais ou comerciais de Susana Neves, Maurício Cabral e dos seis presos sem mandado anterior.

Pagamento. A operação investiga o pagamento de US$ 16,5 milhões em propina ao ex-governador por Eike e Flávio Godinho, quando integravam o grupo EBX, usando a conta Golden Rock no TAG Bank, no Panamá. O valor teria sido solicitado por Sérgio Cabral a Eike Batista no ano de 2010, e para dar aparência de legalidade à operação foi realizado em 2011 um contrato de fachada entre a empresa Centennial Asset Mining Fuind Llc, holding de Batista, e a empresa Arcadia Associados, por uma falsa intermediação na compra e venda de uma mina de ouro. A Arcadia recebeu os valores ilícitos numa conta no Uruguai, em nome de terceiros, mas à disposição de Sérgio Cabral, informou o MPF.

Eike Batista, Godinho e Cabral também são suspeitos de terem cometido atos de obstrução da investigação, porque numa busca e apreensão em endereço vinculado ao ex-bilionário em 2015 foram apreendidos extratos que comprovavam a transferência dos valores ilícitos da conta Golden Rock para a empresa Arcadia. Na oportunidade, os três investigados orientaram os donos da Arcadia a manterem perante as autoridades a versão de que o contrato de intermediação seria verdadeiro.

A ex-mulher e o irmão do ex-governador são alvos das investigações na condição de beneficiários dos recursos ilícitos. Suas contas e de suas empresas receberam altas quantias ocultadas pela organização. Segundo o MPF, há elementos suficientes para pedir as prisões temporárias (por cinco dias) de Susana Neves Cabral e Maurício Cabral, mas os investigados acabaram sendo alvo apenas de conduções coercitivas, para que deponham conforme for ordenado pela Justiça.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.