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Eike diz que pediu ‘ajuda’ de Dirceu na Bolívia

Empresário afirma à CPI do BNDES que ex-ministro fez intermediação com o presidente Evo Morales após ter prejuízos com nacionalização

Bernardo Caram / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 Novembro 2015 | 07h42

O empresário Eike Batista afirmou ontem que contratou o ex-ministro José Dirceu, da Casa Civil, para que ele “ajudasse com o governo da Bolívia” no andamento de um empreendimento de siderurgia naquele país. O lobby foi contratado em 2006, no primeiro ano de Evo Morales na presidência, quando foi anunciada a nacionalização de diversos empreendimentos estrangeiros em solo boliviano.

Em depoimento à CPI do BNDES, Eike declarou que tinha um projeto com minas de ferro na cidade fronteiriça de Corumbá (MS) e no país vizinho. “A gente ia botar a Bolívia no mapa do mundo na área de siderurgia.”

A contratação de Dirceu, disse, seria a maneira de conversar com o governo boliviano. “Contratei para fazer um estudo, me ajudar com o governo da Bolívia a botar o projeto em pé. E não ficou em pé”, afirmou.

O trabalho foi feito alguns meses após a cassação do mandato de deputado de José Dirceu em meio ao escândalo do mensalão, período em que o petista ainda exercia forte influência no governo e no PT. “Eu fui nacionalizado, sofri uma agressão”, disse, sobre a medida de nacionalização do petróleo e gás do país adotada pelo governo boliviano. O pedido de ajuda a Dirceu, segundo ele, foi para tentar reverter a “decisão tão radical” do país. O projeto, contou, acabou sendo deixado de lado.

Procurada pela reportagem, a defesa de José Dirceu não tratou especificamente do caso da Bolívia, mas confirmou que o ex-ministro já prestou diversos serviços no exterior.

No depoimento, o empresário disse que anos depois, após 2012, quando suas empresas entraram em colapso, procurou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para pedir ajuda. “Será que é possível a Petrobrás fazer encomendas no meu estaleiro?”, afirmou Eike, como um dos questionamentos na busca pela salvação de suas companhias. “Claro que tentamos (ajuda do governo)”, disse, antes de afirmar que não recebeu esse apoio. “Quando começamos a falar com o governo, já era tarde.”

Bumlai. O executivo declarou ainda que conhece Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado como operador de propinas do PMDB no esquema de corrupção na Petrobrás investigado pela Operação Lava Jato. Ele ponderou, entretanto, que nenhum projeto foi concretizado.

Em delação premiada, Baiano afirmou que o ex-presidente Lula se reuniu pelo menos duas vezes com o pecuarista José Carlos Bumlai e com João Carlos Ferraz, então presidente da Sete Brasil, para tratar de negócios intermediados por ele, em nome do grupo de Eike. “Estive com ele (Baiano) umas duas, três vezes”, disse Eike aos deputados, acrescentando que não se lembrava de quem o apresentou. “Sei que ele apareceu no escritório.” No depoimento, Eike também negou ter feito negócios com Bumlai, que é amigo de Lula. Eike ressaltou ainda que as suspeitas de irregularidades em empréstimos do BNDES ao Grupo EBX são uma “inverdade” e que as operações de crédito conseguidas com o banco eram uma pequena parte dos investimentos do grupo.

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