Fábio Motta|Estadão
Fábio Motta|Estadão

Eike depõe na Lava Jato sobre relações com Cabral

Empresário presta esclarecimento à força-tarefa, que suspeita de pagamento de R$ 1 milhão à ex-primeira-dama

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2016 | 18h34

RIO - O empresário Eike Batista prestou seu primeiro depoimento à força-tarefa da Operação Lava Jato no Rio nesta quarta-feira, 30.  O fundador do Grupo X  foi chamado à sede do Ministério Público Federal (MPF) para prestar esclarecimentos sobre suas relações comerciais e políticas com o ex-governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) e sua mulher, Adriana Ancelmo. Eike ficou chegou ao local com uma pasta cheia de papéis, acompanhado de um advogado e permaneceu por cerca de uma hora.

O MPF investiga um pagamento feito pela empresa EBX Holding ao escritório de advocacia de Adriana Ancelmo, no valor de R$ 1 milhão. Na busca e apreensão realizada no escritório da mulher de Cabral, não foi encontrada nenhuma prova de prestação de serviços à EBX.

Na saída, o advogado Darwin Corrêa disse que levou as provas e declarou que “o resto é sigilo da investigação” e não iria comentar. “Os serviços foram esclarecidos ao MP e estão provados”, disse.

Na decisão do juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal Criminal, que resultou na prisão de Cabral, é dito que: “É de se notar que as circunstâncias de alguns pagamentos causam espécie como, por exemplo, um único pagamento pontual no valor de R$ 1.000.000,00, feito em 4 de janeiro de 2013, pela EBX Holding, que possuía negócios no Estado do Rio de Janeiro que dependiam de licenças e autorizações do poder público fluminense”. Em razão das circunstâncias dos pagamentos ou do envolvimento em escândalos de corrupção anteriores, demandam aprofundamento das investigações”.

Na segunda-feira passada, 28, Bretas bloqueou os imóveis em nome da advogada e do escritório Ancelmo Advogados. O magistrado acolheu pedido do MPF, que suspeita que a ex-primeira-dama participou em esquema de lavagem de dinheiro obtido através de supostas propinas pagas ao ex-governador.

Jatinho. A contratação do escritório de Adriana não foi um caso isolado na relação entre o empresário e Cabral. Em 2011, Eike emprestou seu jatinho Legacy para o então governador viajar ao sul da Bahia, acompanhado de seu filho, Marco Antonio, a namorada do rapaz, o empresário Fernando Cavendish, dono da Delta Construções, e sua família. Foi nessa viagem que, dias depois, ocorreu um acidente de helicóptero em que morreram seis pessoas, em Porto Seguro.

Eike também doou R$ 750 mil para a campanha de Cabral em 2010 e tinha se comprometido a doar R$ 40 milhões ao projeto das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPP’S).

Na chegada de Eike à sede do MPF, houve um momento em que a tensão foi quebrada por um inusitado pedido de "selfie", pelo empresário Tone Nasr, de 60 anos. Eike posou para foto sorrindo, quando entregava o documento de identificação na portaria do MPF. "Sou amigo dele e já prestei alguns serviços com a minha empresa de eventos. Ele lembrou de mim. Marcamos um café. Acredito em sua inocência. Ele foi usado como bode expiatório por ser um empresário respeitado", disse Nasr, que postou a foto em seu perfil no Facebook.

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