Egito barra novas escavações estrangeiras depois da controvérsia sobre Nefertiti

O Egito não permitirá nenhuma nova expedição estrangeira para fazer escavações no sul do país, pela próxima década, na tentativa de preservar seus monumentos, informou o chefe do Conselho Supremo de Antigüidades, Zahi Hawass. Segundo ele, a precaução é necessária em sítios arqueológicos no Delta do Nilo e no deserto.?Fizemos isto para proteção dos monumentos?, diz Hawass. ?Não iremos agradá-los (aos estrangeiros) às custas da destruição dos monumentos.? Segundo ele, há 300 expedições estrangeiras no país atualmente.?São especialistas respeitados, trabalhando no campo e conhecem o valor dos monumentos egípcios?, explica. ?Mas também há amadores, que podem causar danos aos monumentos.? A maioria das expedições concentra seu trabalho no sul do Egito, onde os ricos sítios arqueológicos incluem os templos de Luxor e Karnak e o Vale dos Reis.O veto a novas expedições faz parte de uma série de medidas tomadas pelo conselho, depois que uma expedição britânica conseguiu manchetes na imprensa, durante todo o verão do hemisfério norte, afirmando ? através de um programa levado ao ar pelo Discovery Channel dos EUA ? que havia identificado a múmia da rainha Nefertiti.Os membros do conselho estão contrariados com a reportagem, que acham um desafio ao órgão, que assegura que a múmia é de um homem. Hawass também afirma que a equipe britânica violou um contrato obrigando os arqueólogos a anunciar qualquer descoberta através do conselho e não independentemente.Em meio a seu furioso ataque a Joan Fletcher, a chefe da equipe britânica, Hawass diz que a arqueóloga enviou-lhe uma carta negando que tivesse dito que a múmia pertencia a Nefertiti.?Joan disse que nunca afirmou que era Nefertiti. Disse que apenas pensou que era Nefertiti?, ele diz. ?Eu imagino como alguém ilude o mundo inteiro e agora vem dizer-nos que não o fez.?Nefertiti, famosa por sua beleza graças a dois bustos em exposição em museus do Cairo e Berlim, foi casada com o faraó Akenaton, que governou o Egito entre 1379 3 1362 A.C..Há muito tempo, o Egito lamenta pelas antigüidades que foram levadas, incluindo o busto de Nefertiti e a Pedra da Roseta, que está exposta no British Museum. Mas Hawass diz que pode reclamar apenas de antigüidades levadas do país depois de 1970, de acordo com um tratado com a Unesco, que não pode ser aplicado retroativamente.?Temos um catálogo dos objetos que foram levados ilegalmente do Egito depois de 1970, diz Hawass, que encabeça uma campanha pela volta das peças roubadas. ?Não cooperaremos com museus que retenham antigüidades egípcias.? Entre as novas regras adotadas pelo conselho, Hawass anunciou que todas as missões arqueológicas receberão treinamento antes de começar a trabalhar nos sítios e que os arqueólogos terão de publicar artigos sobre suas descobertas em inglês e árabe no jornal do conselho.Arqueólogos presentes à entrevista coletiva também anunciaram a descoberta de parte de um documento de 3.200 anos, uma tábua com cuneiformes, contendo correspondência diplomática entre o Egito e o reino dos hititas.A tabuinha de 5cm x 5 cm, encontrada por uma equipe alemã que trabalha em Qantir, cerca de 100 quilômetros a nordeste do Cairo, é uma das raras cartas hititas descobertas no Egito. Edgar Pusch, o chefe da equipe alemã, diz que o texto, enviado pelo rei Hatusili III ao faraó egípcio Ramsés II, está relacionado a formalização da paz entre os reinos rivais, que travaram uma guerra entre 1300 e 1200 A. C., antes de assinarem o primeiro tratado de paz conhecido.A tabuinha é um fragmento de uma tábua maior e mostra exatamente o fim de 11 linha de texto, oito das quais são claras o suficiente para serem lidas. Outras correspondências entre os dois reinos foram achadas no império hitita, que se estendia da Mesopotâmia à Síria e Palestina.

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